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Governo desiste da obra do VLT e vai construir corredores de ônibus em Cuiabá e VG

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

O governo do Estado de Mato Grosso não vai mais retomar a obra do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), paralisada há seis anos, e optou pela instalação do BRT como o principal modal de transporte nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.

A decisão está sendo anunciada neste momento pelo governador Mauro Mendes (DEM) em entrevista coletiva no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.

A preferência pelo BRT leva em conta o altíssimo custo para concluir a obra do VLT – e também o alto custo para mantê-lo funcionando, uma vez que apenas o valor das passagens não seria suficiente para cobrir os custos de operação.

Segundo o governo, a decisão está baseada em um estudo técnico, com mais de 1.400 páginas, realizado pela Comissão de Mobilidade Urbana do Governo Federal e pelo Governo de Mato Grosso.

Dentre outras coisas, o estudo compara as diferenças entre os modais VLT e BRT – com vantagens financeiras para este último – além de menor prazo para licitação e conclusão, menor custo de operação e passagens a R$ 3,04. (Com o VLT a tarifa seria de R$ 5,28).

O BRT, segundo o governo, deve ser implantado em até 24 meses, ao custo de R$ 430 milhões (para a compra dos veículos)

De acordo com Mauro Mendes, ele gostaria de ter tomado essa decisão ainda em 2019, mas descobriu que o problema do VLT “era muito mais complexo, com oito ações correndo na Justiça”.

Ônibus articulados e movidos a eletricidade

O BRT (Ônibus de Tráfego Rápido, em tradução livre do inglês), modal de transporte baseado em ônibus articulados e movidos a eletricidade, que trafegam em faixas exclusivas, deve cobrir as mesmas rotas previstas para o VLT: a Avenida Fernando Correa da Costa (do Tijucal à Avenida Prainha), e do aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, à entrada do bairro CPA, passando pela Avenida XV de novembro, no Porto.

Governador Mauro Mendes: alto custo do VLT foi determinante para a desistência da obra (Foto:Ednilson Aguiar/O Livre)

VLT já consumiu mais de R$ 1 bilhão

Em junho deste ano, o VLT, que deveria ter começado a funcionar em junho 2014, para a Copa do Mundo, completou de oito, sendo seis de obra parada. Nesse tempo, Mato Grosso continua a pagar o empréstimo para a construção, os prazos para resolução do entrave de serviços que já custou mais de R$ 1 bilhão.

Conforme a Secretaria de Fazenda (Sefaz), desde 2013 Mato Grosso já pagou R$ 180 milhões por um serviço sem uso. É uma fatia de 20% do total de R$ 1 bilhão emprestados da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES).

Propina a agentes públicos

A obra foi paralisada em dezembro de 2014, fim do mandato de Silval Barbosa (sem partido) em polêmica de falta de pagamento e mais tarde continua sem retomada por descoberta de fraudes.

Silval, em seu acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal, confessou que a obra do VLT foi usada para distribuir propina a agentes públicos.

Até o anúncio de hoje, o governador Mauro Mendes aguardava uma avaliação da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana sobre o assunto, que foi atrasada, em 2019, pelas constantes trocas de comando da Pasta, e neste ano pela pandemia.

Nesse ínterim, o governo do Estado realizou um estudo para a viabilidade do VLT. A última manifestação em nível federal ocorreu no começo do primeiro semestre, quando o então procurador-geral da República, Augusto Aras, assumiu compromisso de analisar obras polêmicas no Brasil, incluindo o modal.

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