Governo de Joe Biden deve pressionar a produção do agronegócio

Mato Grosso tende a entrar no foco de observação e crítica sobre sustentabilidade com a investida de pressão econômica

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O tom da conversa entre o Brasil e os Estados Unidos sobre o meio ambiente, com início do governo do democrata Joe Biden, já foi dado logo nos primeiros dias. No discurso de posse, Biden afirmou que irá avançar nas medidas de combate à sustentabilidade e problemas climáticos. 

Basicamente, Biden vai retomar algumas participações e ações das quais os Estados Unidos se afastaram durante a gestão do republicano Donald Trump, como o Acordo de Paris. Isso significa que Mato Grosso, o maior produtor de commodities no Brasil, passará ao destaque nas discussões. 

Ciente disso, o governador Mauro Mendes já se manifestou em tom inflamado e em desafio à fala de Biden. Em evento de agricultura familiar promovido pelo Estado, com entrega de maquinário, na quinta-feira (21), Mendes disse que a produção do agronegócio segue medidas de sustentabilidade e qualquer tentativa de interferência (externa) pende para o interesse econômico. 

“Desafio a vir conhecer Mato Grosso, a produção mais sustentável do planeta. A fala do [Emmanuel] Macron [presidente da França] não tem a menor âncora na verdade. É uma fala irresponsável com aquilo que nós somos ambientalmente. Também lanço o convite ao presidente dos Estados Unidos para vir a Mato Grosso”, disse. 

Sustentabilidade x interesse econômico

A disputa com Macron tem mais tempo, é só lembrar da polêmica sobre incêndio na Amazônia no segundo semestre de 2019. Na semana passada, Macron voltou a tocar no assunto e associou a soja com desmatamento da Amazônia.  

Essa relação entre economia e sustentabilidade deverá ser perseguida. A coordenadora de incentivos econômicos do Instituto Centro Vida (ICV), Paula Bernasconi, disse que o agronegócio em Mato Grosso tem condições de produzir com sustentabilidade, mas falha na estratégia de dissociação do grupo que segue as regras daqueles que correm por fora, ilegalmente. 

“O agronegócio está preparado no sentido que há ferramentas para separar o joio do trigo, e há empresas mostrando que é possível, porém ainda falta um comprometimento real de efetivamente desvincular o desmatamento da produção de commodities”, pontua. 

Ela disse que a cobrança sobre observações de assuntos climáticos não é novidade. Países clientes do Brasil e traders já estão há algum tempo na linha de ver seu produto como marca de destaque de produção sustentável. Fora que a França, Reino Unido e China (o maior cliente de Mato Grosso e mercado desejado pelos EUA) intensificaram as ações nos últimos anos, conforme a demanda ambientalista cresce. 

No foco norte-americano

A pressão deverá aumentar com o retorno do assunto à pauta a favor do governo norte-americano. E a discussão daqui pra frente, em tese ambientalista, segundo Paula Bernasconi, poderá ter reflexo na economia. 

O cenário de Brasil incomoda economicamente outros países ao mesmo em que serve de combustível para críticas. Novamente a produção de commodities deverá atingir novo recorde ao fim de 2021, com crescimento de 3%, conforme estimativa da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Mato Grosso deverá puxar essa alta. 

Por outro lado, estudo do ICV aponta que 90% do desmatamento da floresta amazônica foram ilegais nos últimos 12 anos; um quarto (27%) de todo o desmatamento em Mato Grosso entre 2012 e 2017 ocorreu em fazendas de soja. 

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