Mauro Mendes: Saudades de Taques? Perguntem daqui quatro anos

Mauro rejeita comparações com o antecessor Pedro Taques

Aos 54 anos, o empresário Mauro Mendes Ferreira (DEM) finalmente se sentou na cadeira de governador de Mato Grosso, oito anos depois da primeira tentativa de se eleger para o cargo. “Foi um momento em que senti muito orgulho, porque fui escolhido pelo povo mato-grossense para comandar o Estado em um momento tão difícil.”

Mauro conseguiu um feito histórico nas eleições de 2018: desbancou um governador que tentava a reeleição, o ex-aliado Pedro Taques (PSDB) – com quem não fala desde as formalidades da transmissão de cargo, em 1º de janeiro.

Casado com Virginia Mendes e pai de três filhos, o goiano, que se mudou para Cuiabá há mais de 30 anos, já foi prefeito da capital, de onde saiu com altos índices de aprovação. Se quiser repetir o feito no Palácio Paiaguás, terá que vencer desafios ainda maiores.

Nos primeiros dias de governo, Mauro vem descrevendo um cenário de caos: anunciou ter recebido do antecessor quase R$ 4 bilhões em dívidas, enviou aos deputados projetos para taxar o agronegócio e para cortar gastos do governo, parcelou e atrasou salários, enfrentou ameaças de greve geral e decretou estado de calamidade financeira. Conseguiu contrariar interesses de setores tão distintos como de servidores públicos e produtores rurais.

Ele afirmou não ter preocupações com a eventual impopularidade que as medidas possam trazer. Rejeitou também comparações com a rejeição sofrida por Taques. “Essa é uma pergunta para ser feita só daqui quatro anos”.

Confira as cinco perguntas que Mauro Mendes respondeu para o LIVRE:

1 – O senhor recebeu um Estado quebrado, com muitas dívidas e todo tipo de problema. O arrependimento bateu em algum momento depois da eleição, ou da posse?

Mauro Mendes – Não. Eu já sabia que a situação estava complicada, que o caos estava instalado e que os restos a pagar estavam acima de R$ 3 bilhões. É um desafio e estou fazendo a minha parte. Todos precisamos contribuir se queremos um Estado melhor.

2 – O senhor também recebeu a Prefeitura de Cuiabá com diversos problemas. Foram mais difíceis os primeiros dias como prefeito ou como governador?

Mauro Mendes – São dificuldades diferentes. Aqui no Governo a abrangência é muito maior e os problemas não acontecem em apenas um município, mas em 141. O mais difícil é o desafio de pagar os salários dos servidores públicos.

3 – Como empresário, na atual situação o senhor faria contratos com o Governo do Estado?

Mauro Mendes – Se no comando do Estado estivessem pessoas sérias, comprometidas com Mato Grosso, como é o caso da nossa gestão, com toda certeza eu faria.

4 – No governo Taques, os servidores sentiram saudade do Silval. Na sua administração, os servidores vão sentir saudade de Pedro Taques?

Mauro Mendes – Essa é uma pergunta para ser feita só daqui quatro anos. Na Prefeitura os servidores aprovaram a minha gestão, paguei os salários no mês trabalhado e as revisões gerais anuais. Vamos nos esforçar muito para passar esse momento de turbulência, reequilibrar as contas públicas e retornar o pagamento para o último dia útil do mês. Será necessário muito trabalho e fé em Deus.

5 – Qual o peso da faixa de governador?

Mauro Mendes – Não sei, acho que 30 ou 40 gramas. Brincadeira. Atualmente o peso da faixa de governador é de mais de 3 milhões de mato-grossenses que esperam que o Estado entregue saúde, segurança e educação de qualidade. É o peso de R$ 3,9 bilhões em restos a pagar com fornecedores, Poderes e servidores públicos.

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

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