Gestão ambiental: verde ressurge no Parque Águas Quentes

Equipe do hotel está promovendo o replantio de árvores nativas e realizando o monitoramento da vegetação

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Caminhadas pela mata, plantio e transporte de mudas e limpeza de trilhas são atividades diárias dos funcionários do Hotel Mato Grosso Águas Quentes. O trabalho visa contribuir com a natureza, que a medida que as chuvas caem, recupera o verde, abandonando o cinza e o marrom, deixados pelos incêndios florestais do final do ano passado.

Apenas este ano, já foram plantadas mais de 150 mudas de árvores nativas na região, principalmente no entorno das trilhas. As plantas foram cultivadas no viveiro do hotel e tiveram a localização definida pelo gestor ambiental e engenheiro Ambiental, Joab Almeida Silva.

Ele explica que é preciso identificar os pontos onde ficarão espaços abertos para que a planta contribua com a cobertura vegetal da área.

Vale lembra que nem todas espécies veem do viveiro, uma parte é coletada da própria natureza e apenas transferidas de locais vazios. Devido ao excesso de sobra e a presença de outras plantas, muitas mudas são descartadas naturalmente na floresta.

Hotel Águas Quentes também oferece mudas aos hóspedes. Foto: (Ednilson Aguiar/O Livre)

Então, nesse processo de remoção, é dada mais uma oportunidade para sobrevivência daquela muda em um espaço que foi devastado.

Além disso, é preciso acompanhar a recuperação das árvores, tendo em vista que uma das características da vegetação de cerrado é a “resiliência”.

Resistir sempre

De acordo com o gestor ambiental, muitas árvores do cerrado possuem uma estrutura, presente tanto no caule como nas raízes, denominada de xilopódio. Ela é capaz de armazenar água e nutrientes para o período de estiagem. Sendo assim, assim que as chuvas começam, elas brotam.

Plantas brotam na mata e são realocadas para locais devastados Foto: (Ednilson Aguiar/O Livre)

Entre os exemplos de espécies que possuem esta habilidade estão a aroeira, o ipê, o jatobá e o aricá. É como se o DNA delas tivesse sido moldado ao longo dos anos em prol da sobrevivência.

Por conta disso, até mesmo as sementes germinam com mais facilidade após um estresse, que pode ser causado pelo calor. Lógico que o ciclo natural não pode ser justificativa para o que foi vivenciado no ano passado.

“A seca prolongada já indicava que o 2020 seria um ano atípico, mas nunca pensamos em algo da proporção que vivemos”, argumenta o Joab Silva.

Quem combateu pode falar

Benedito Castro Moraes trabalha há 18 anos com a conservação do Parque  Estadual Águas Quentes. Ele é um dos funcionários do hotel e está diuturnamente monitorando a área. Hoje, ele faz os plantios e tira das trilhas as árvores que tombaram.

“Todos os anos, as queimadas acontecem, mas ano passado foi a período mais violento que vivenciei”, recorda.

Benedito Moraes trabalha há 18 anos no viveiro do hotel Foto: (Ednilson Aguiar/O Livre)

Ele, que tem prazer de atuar junto à floresta, conta que por muitas vezes pensou em abandonar o combate ao fogo, mas fica sensibilizado com colegas e acabava se esforçando para continuar no fronte.

Agora, ele vê a situação se normalizando aos poucos. Contudo, acredita que é preciso mais chuvas para que situações como a do ano passado não se repitam.

Dentro das trilhas do parque, uma das preferidas dos visitantes é a que dá acesso à cachoeira Paredão dos Malucos. O local secou em 2020, porém a queda d’água já ressurgiu, mas ainda em menor intensidade.

O caminho até lá está limpo, em condições segura de se caminhar e com plantas verde e frutos, que alimentam os animais silvestres. Os bichos mostram-se muito a vontade ou seguros com a presença do homem, tanto que chegam bem perto, dando condições para boas fotos.

Trilhas já estão em condições de receber os visitantes Foto: (Ednilson Aguiar/O Livre)

O parque

O Hotel fica no Parque Estadual das Águas Quentes, tem 1.487 hectares de área e foi muito castigado pela estiagem do ano passado.

A área foi a primeira área de conservação de Mato Grosso, sendo que despertou a atenção de marechal Cândido Rondon em 1905 pela riqueza e diversidade e, apenas de 1937, foi iniciado o processo de desapropriação, com a homologação do parque em 1978.

Visitantes no caminho que leva ao Paredão dos Malucos. Foto: (Ednilson Aguiar/O Livre)

O gerente do Hotel Mato Grosso Águas Quentes, Fábio Oberty Fávero, explica que a empresa LM Hotelaria está há mais de 20 anos no local e precisou fazer um trabalha forte com a comunidade. O objetivo era conter o desmatamento, a caça ilegal, bem como o plantio de espécies invasoras, como o capim tipo braquiária.

Atualmente, a relação é de parceira e sempre que algo diferente é visto pelo moradores locais, eles logo comunicam a gestão do hotel.

A conscientização não acontece apenas nos arredores. O Hotel também tem um pacote para escolas e empresas, no qual é realizada uma mistura entre aulas teóricas, oficinas, caminhada ecológica e recreação.

Serviço

Hotel Mato Grosso Águas Quentes está localizado na Serra de São Vicente, a 85 km de Cuiabá. O empreendimento fica no meio do Parque Nacional de Águas Quentes.

O local tem piscinas normais, naturais com águas termais e ainda uma série de atrações com contato direto com a natureza.

Foto: (Luiz Alves/ O Livre)

 

 

 

 

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Um exemplo de que o homem quando quer fazer as coisas ele faz, não fica de mimimi nem culpando as árvores e nem culpando o gado. Parabéns ao Joab que está a frente desse trabalho.

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