Garimpeiros protestam, bloqueiam ruas e tensão aumenta em Aripuanã

Operação visa combater a extração ilegal de ouro na região e cumpre decisão judicial; um garimpeiro morreu

Um grupo de garimpeiros que atuava na Serra de Santo Expedito, cerca de 13 quilômetros de Aripuanã (1,2 mil km de Cuiabá) bloqueou uma rua da cidade após a deflagração da Operação Trype, que visa desocupar a área onde vem sendo feita extração ilegal de ouro.

O protesto ocorreu em frente à sede da Mineradora Nexa, que seria responsável pelo local onde o garimpo foi instalado.

Duas caminhonetes foram arrastadas para o meio da rua, com o objetivo de bloquear a passagem. Ao longo desta terça-feira (8), outras manifestações também foram registradas pela cidade.

Em carreata, os garimpeiros pediam o fim da operação.

A Trype foi deflagrada pela Polícia Federal (PF), em conjunto com forças policiais estaduais, na manhã de segunda-feira (7).

Nesta terça, a Secretaria de Estado de Segurança Pública confirmou que a ação resultou uma morte, no fim da tarde de ontem. A informação é a de que um garimpeiro teria trocado tiros com o Batalhão de Operações Especiais (Bope).

De acordo com o delegado da Polícia Federal Carlos Henrique Cotta D’Angelo, a operação visa cumprir ordem judicial que determinou o fim da atividade de garimpo ilegal na área.

Alguns garimpeiros, que seriam “responsáveis pelo local”, chegaram a ser presos. Outros receberam a ordem de deixar a área.

“Cerca de 500 garimpeiros que lá estavam saíram de forma ordeira, bastante tranquila. Cada um levou seus pertences, motocicletas, veículos de passeio. Alguns tentaram argumentar para levar maquinário pesado, justamente o que é utilizado na extração do ouro, mas isso não foi possível. A decisão judicial é justamente no sentido da destruição desse material e da implosão das cavas criadas ali”, explicou.

Garimpo ilegal

Conforme o assessor de Assuntos Estratégicos da Prefeitura de Aripuanã, Bartolomeu Casteliano, ninguém sabe como começou o garimpo.

Segundo ele, a notícia simplesmente se espalhou e, em poucos meses, mais de duas mil pessoas invadiram a cidade em busca de enriquecer com o ouro.

“Grande parte era pais de família que queriam uma oportunidade”, comentou ao LIVRE.

A situação, todavia, criou um problema social na cidade. Agora, tanto o poder público, como a sociedade civil, organizaram-se para pagar passagem para as pessoas que foram para o município, mas não conseguiram achar nada.

Outro problema criado pela corrido pelo ouro foi a sobrecarga dos serviços de saúde e segurança.

Confira um dos vídeos do protesto:

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