Fraude? Manipulação? Até que ponto as pesquisas eleitorais são confiáveis?

Resultados distantes dos registrados nas urnas, além de indícios de alterações de dados colocam a confiabilidade de números pré-votação em xeque

Os resultados das urnas na eleição 2018 chamou a atenção para as pesquisas eleitorais. Na época, a distância entre os números foi significativa. Candidato que nem aparecia no cenário de eleito teve recorde de votos, outro que venceria por uma margem apertada, teve folga nos números oficiais da Justiça Eleitoral. 

Neste ano, já houve cenário aparecido na eleição presidencial dos Estados Unidos, com pesquisas que apontaram liderança distante do democrata Joe Biden contra o republicano Donald Trump. Em Mato Grosso, há questionamentos quanto a pesquisas por suposta fraude, com manipulação enganosa dos dados. 

Esses acontecimentos levam a duvidar da qualidade da coleta de dados feitas pelos institutos de pesquisas. Mas o cientista político João Edisom diz que o fenômeno de 2018 foi isolado e tem registros pontuais no histórico das eleições pelo mundo. 

Segundo ele, a distância entre os números das pesquisas e os que saem das urnas é estabelecido por fato político que altera o mapa da intenção de votos e não é captado pelas pesquisas. 

“No caso do Brasil, foi facada [no então candidato à presidência, Jair Bolsonaro]. Aquilo alterou o cenário das eleições e quem se associou ao nome dele tirou vantagem. O que aconteceu? Um fato externo às eleições influenciou o resultado das eleições. Mas, isso é um caso e eles são pontuais”, afirma. 

Uma pandemia no meio do caminho

Mas o cientista alerta que a desconfiança sobre os dados deve ser maior neste ano, em todos lugares com eleição em andamento, em decorrência da pandemia. Segundo ele, uma nova alteração no mapa pode estar em curso, sem a percepção dos institutos. 

A relação delas com a pandemia ocorre no formato que os questionários estão sendo apresentados, seja em censo de porta a porta ou por telefone.  

“Quando se faz uma pergunta em pesquisa, você estimula o eleitor dar uma resposta. Então, pode ser que o eleitor não esteja com convicção que vai votar no candidato que ele disse que irá. Isso altera o resultado”, explica. 

Essa margem de erro estaria associada a certa tendenciosidade das pesquisas na hora de fazer a pergunta, com reflexo moral na apresentação dos candidatos. 

“Por exemplo, a pessoa diz para o eleitor: ‘você vai votar no candidato A ou no candidato B? O candidato tal roubou, é investigado, fez isso, fez aquilo’. Esse tipo de apresentação faz o refletir sobre a resposta e, de novo, a resposta dada pode ser diferente do voto”, comenta. 

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