|terça, 22 maio 2018

    Fora Temer – O grito dos imprudentes

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    Precisamos dar uma injeção de pragmatismo nos que insistem em emplacar o discurso de “fora Temer”, porque é uma ideia tola, cujo resultado, se alcançado, só traria prejuízos ao país.

    A saída da Dilma já ficou no passado, é perda de tempo lutar contra ela. Importa agora, se o bom senso ajudar, conduzir a situação em banho-maria até que, no ano que vem, o povo possa escolher outro (a) presidente. Se os eleitores quiserem e o Lula conseguir candidatar-se é legítimo levá-lo de volta à presidência, ainda que sob o risco de reenterrar o país, que começa a sair do atoleiro. São os males da democracia.

    Quando digo que falta bom senso no pedido da saída de Temer é porque se ele for afastado o novo presidente será eleito pelo Congresso, onde votarão os deputados e senadores que em eleições recentes conduziram companheiros do presidente à chefia da Câmara e do Senado.

    Os deputados elegeram Rodrigo Maia, que obteve 293 votos, quase 58% dos presentes, e no Senado, Eunício Oliveira recebeu aprovação de 6l eleitores, ou 75% do total de votos. Isso garante que nada mudaria na política se o Temer saísse, somente traria atrasos para a recuperação econômica e sérios danos à imagem internacional do país.

    Os que sonham com uma mudança de rumos para direita ou para a esquerda, devem saber que Luíza Erundina (talvez a de perfil mais a esquerda dos candidatos) conseguiu somente 10 votos na Câmara e que o radical de direita, Jair Bolsonaro, saiu com ridículos 4 votos. No Senado somente 10 votaram contra Eunício.

    Acho que a tese de cassação de Temer só convém aos que não se conformam com o teto dos gastos públicos, com a reforma do ensino e também com a mudança prevista nas leis trabalhistas, medidas que contrariam totalmente a nefasta ideologia defendida pelo PT que afundou o país.

    O “Fora Temer” é movido principalmente pelos contrários ao saneamento da previdência. Eles invocam a expectativa de vida ao nascer para questionar a idade de 65 anos propostos para aposentadoria. Acontece que esta é uma tese tendenciosa, pois o que importa é o tempo de vida esperado a partir dessa idade, período em que os salários são pagos pelo estado. Em 1940, o trabalhador de 65 anos poderia esperar 11 anos a mais de vida, na média; hoje são 18 anos.

    Se esse tempo maior não bastasse para justificar as reformas, tem ainda o número de contribuintes em relação aos aposentados que decresce dia a dia. Sobre a unificação da idade entre homens e mulheres é bom lembrar que após os 65, os homens vivem 17 e as mulheres 19 anos. Elas, portanto, são mais custosas para a previdência.

    Contestar o indiscutível fracasso do governo PT, a consequente ruína das contas públicas (Estados e União) e a urgência de cortar gastos, principalmente da previdência, é como inadmitir o Holocausto na Alemanha. Como lá, aqui deveria ser crime negar tamanhas evidências.

    Assinatura Renato de Paiva

     

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