Flagrada recebendo abortivo nos Correios, jovem revela esquema de venda em Cuiabá

Polícia agora investiga gestantes que estavam em busca do remédio para praticar abortos

Foto: Polícia Civil

Uma jovem de 21 anos foi presa nessa segunda-feira (1º) após ser flagrada pegando na agência dos Correios do Bairro CPA II, em Cuiabá, uma encomenda de comprimidos de um remédio abortivo, conhecido como “Cytotec”, e acabou contando à polícia tudo o que sabia sobre o esquema de venda desse tipo de remédio.

A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), que chegou à jovem após uma denúncia. Agora, segundo a Polícia Judiciária Civil, ela é suspeita de comercializar e distribuir o medicamento para outras mulheres.

Prisão

Os policiais abordaram a jovem logo após ela pegar a encomenda. Imediatamente ela disse que não estava grávida, mas que havia comprado o remédio para uma colega de trabalho, dando nome, telefone e local de trabalho da mulher.

Ela contou, ainda, que conseguiu o contato para a compra por meio de um grupo de WhatsApp de fora de Mato Grosso, chamado “ActiveFeminism – Triagem”, que ela conheceu por uma amiga, moradora de Várzea Grande, com quem ela teria estudado em 2014. A mulher passou nome e telefone da suposta amiga.

No grupo de WhatsApp, ela teria conhecido uma terceira mulher, de quem ela também passou nome e telefone, com DDD 011, e foi essa mulher que teria passado duas contas bancárias para fazer a transferência para pagamento pelos remédios abortivos, no valor total de R$ 1.100.

Dinheiro do “pai”

A jovem disse que havia feito as transferências porque a amiga que está grávida não tem conta em banco, mas quem teria dado o dinheiro seria o pai do bebê, morador do Bairro Três Barras, em Cuiabá, mas que ela não conhece.

Ela disse, ainda, que foi a primeira vez que comprou o Cytotec por esse grupo, mas que já havia comprado outras duas vezes no Bairro Porto, em Cuiabá, uma para um aborto que ela mesmo fez, há aproximadamente três anos, quando tinha 18 anos e estava no 3º mês de gravidez, e outra quando comprou para uma amiga com quem já não tem contato.

Ela afirmou também não ter mais contato do homem que vendeu os remédios abortivos para ela no Bairro Porto, mas que sabe que ele não vende mais.

Por fim, ela alegou que não receberia nada pela compra do remédio para a colega de trabalho, que estaria no segundo mês de uma “gravidez de risco”. E que as pessoas que venderam disseram ter um contato dentro da agência dos Correios onde foi feita a postagem, que faria parte do esquema para que tudo fosse entregue em segurança

Na encomenda entregue à jovem foi encontrada uma cartela com 10 comprimidos de Cytotec. A encomenda estava endereçada diretamente ao nome dela.

Investigação

Segundo a Polícia Judiciária Civil, o delegado da Decon, Rogério da Silva Ferreira, interrogou a jovem e disse que, por várias vezes, ela entrou em contradição. Isso, aliado ao fato de ela confessar que é a terceira vez que tem acesso ao remédio, levantou a suspeita de que ela, na verdade, esteja comercializando e distribuindo o medicamento para outras mulheres.

Diante disso, ela foi presa em flagrante pelo crime de vender, distribuir, ou entregar a consumidor, medicamento sem registro nos órgãos competentes (a Cytotec é um medicamento de princípio ativo de uso restrito no Brasil) e de procedência ignorada, considerado crime hediondo com pena de até 15 anos de prisão.

“Agora, a Polícia Civil trabalha para identificar gestantes que tenham encomendado o medicamento com a suspeita, sendo uma delas já identificada. A mulher, que está no quarto mês de gravidez, deve ser ouvida nos próximos dias”, disse o delegado.

A Polícia Civil lembrou que o uso de procedimentos inseguros de interrupção voluntária da gravidez pode levar à hospitalização da gestante, com complicações e até a morte da mulher, além de poder ocasionar a morte do feto e de ser crime no Brasil.

A pena pode chegar a até três anos de prisão para a gestante que praticar o auto-aborto, e a até quatro anos de prisão para o terceiro que a auxilia, podendo ainda a pena ser duplicada se o procedimento levar a gestante à morte.

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