|terça, 21 agosto 2018

    Físicos da UFMT ajudaram na construção do personagem de Gagliasso

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    Paul Mark

    Alberto Sanoja, Bruno Gagliasso e Marcelo Marchiori

    Alberto Gonzalez e Marcelo Marchiori prestaram consultoria ao filme Loop, protagonizado por Bruno Gagliasso

    Não é de hoje que a viagem no tempo é objeto de fascínio dos realizadores do cinema e público. Precisamente, desde 1921, quando se tem notícia do primeiro filme dedicado ao tema. De A Connecticut Yankee In King Arthur´s Court a outros que despertam maior fascínio, como a cultuada trilogia De Volta para o Futuro e a franquia Exterminador do Futuro até outros notáveis como, Interestelar (2014), muita gente se rende a universos surreais e fantásticos apresentados na telona.

    Declarado fã destes filmes do tipo, o diretor Bruno Bini resolveu apostar em um gênero incomum na produção brasileira para idealizar Loop, seu primeiro longa-metragem. O filme que traz o ator Bruno Gagliasso como um físico que consegue realizar viagens no tempo faz um mergulho pela ficção científica – encarando os desafios de produção – e mantendo a viabilidade comercial.

    Para deixar redondo o roteiro – que possui ainda romance, drama, suspense e caçada policial e ainda, conduz o protagonista por saltos de tempo – ele conta com um time especial de físicos para fundamentar sua ideia.

    Os professores do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso, Alberto Sanoja Gonzalez, Marcelo Amorim Marchiori e João Basso Marques são responsáveis por dar fundamentação científica às viagens no passado e futuro realizados pelo personagem principal, ou seja, para cimentar a proposta e torna-la crível dentro de um contexto científico.

    Manu Rigoni

    Quarto Daniel Loop

    A produção arremata detalhes do quarto do personagem Daniel, obcecado pela ideia de viajar no tempo

    Daniel (Bruno Gagliasso) fica obcecado com uma forma de voltar no tempo, depois que a namorada morre. Doutorando de Física, ele estuda a fundo teorias para consolidar uma maneira de viajar no tempo e a partir daí, se tudo der certo, promover alterações no passado. Mas pelo visto, como o título do filme denuncia, terá que vencer as repetições temporais.

    Os professores envolvidos avaliam positivamente a preocupação do diretor com o background teórico. Bini investe assim, em um certo primor pelos quais prezam respeitados diretores do cinema mundial, como Christopher Nolan.

    Ao idealizar um dos filmes mais aclamados de Ficção Científica de toda a história, Interestelar, ele contou com importante suporte. O irmão, Jonathan Nolan, fez um curso de física relativística para escrever o roteiro. E ele contou também, com ajuda do físico teórico Kip Thorne – ganhador do Nobel em 2017 – que atuou como consultor.

    “Poucos projetos do cinema apresentaram proposta amparada por teorias plausíveis e factíveis, como interestelar”, consentem os professores.

    “É o filme com melhor fundamentação científica baseada nas equações de Einstein e que além de render o livro ‘A ciência por trás do Interestelar’, provocou a publicação em massa de diversos artigos científicos que tratam de resultados computacionais impecáveis”, avalia Marchiori.

    Ele relembra que foram procurados inicialmente para que cedessem objetos e locação para as filmagens de uma das cenas em que o protagonista aparece em um laboratório, mas a conversa evoluiu.

    “Bruno Gagliasso pediu inclusive, que estivéssemos a seu lado durante as filmagens, que foram feitas aqui no laboratório do Instituto. Ele pediu que auxiliássemos na composição do personagem, do uso dos instrumentos até a compreensão do cotidiano de um físico”, diz.

    João Basso Marques foi quem supervisionou a prática no laboratório para que o ator interagisse com o cenário. “Para que ele construísse uma máquina fisicamente aceitável a partir dos instrumentos do laboratório, pois ele apenas a desenvolve no laboratório, as viagens, por sua vez, são realizadas em outro local”, mantém o mistério.

    João Basso Marques professor física UFMT

    João auxiliou o ator Bruno Gagliasso a utilizar instrumentos do laboratório

    Os professores também ficaram responsáveis pelo embasamento científico. “Amparados por conceitos como teoria da relatividade geral e mecânica quântica, fizemos a revisão do roteiro para preencher possíveis lacunas com teorias físicas que cimentassem a história. Usamos a licença poética para usar teorias que facilitassem a compreensão sem muito vínculo com o formalismo teórico”, explicam. Tudo para que Daniel seja um físico convincente.

    Foram 20 dias de preparação. Cenário simples, conceito desenvolvido e mais tarde, efeitos especiais dos quais o diretor deve lançar mão. Em uma das cenas, participaram também outros professores e alunos como figurantes. Além do laboratório onde o personagem desenvolve seu experimento, foram utilizados livros e objetos criados por alunos e professores do Instituto à ocasião de um evento científico para democratizar conceitos da física, o FisicArte. Uma luminária e quadros que traduzem teorias compõem alguns dos cenários do filme.

    Camila Bini

    Bruno Gagliasso e Bruno Bini laboratório Física

    Bruno Bini dirige o ator Bruno Gagliasso em cena filmada no laboratório da UFMT

    Para explicar a viagem no tempo de Daniel, os professores Alberto Sanoja e Marcelo Marchiori nortearam-se pela teoria Loop Quantum Gravity, que reúne teorias da mecânica quântica e a relatividade geral.

    A fundamentação das viagens no tempo para o cinema, segundo eles, deve produzir novas abordagens dentro do contexto cinematográfico mas, dificilmente, poderá se estender à realidade. Segundo explicam, as viagens para o futuro, de fato, ocorrem, enquanto para o passado ainda são uma especulação teórica. Vale ressaltar, as teorias só são consolidadas quando experimentadas e até o momento, ninguém teve essa experiência.

    “Precisaríamos de uma engenharia extremamente avançada e ela só seria possível se o viajante se movimentasse a uma velocidade que se aproximasse muito à da luz”, explica Sanoja.

    Não é a primeira vez que um destes professores se vê às voltas com um projeto de cinema que trata de uma viagem no tempo. Curiosamente, João trabalhava no laboratório onde foi rodado O Homem do Futuro, protagonizado por Wagner Moura e que teve como locação o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. “Achamos que apareceríamos no filme como figurantes, porém isso não aconteceu”, diverte-se. Mas pelo visto, a história mudou.

    “E sem contar que o Alberto pode vir a ganhar o Nobel”, brinca Marchiori.

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