Fim dos likes: psicólogo e digital influencer comemoram mudança

Profissionais ouvidos pelo LIVRE classificam "curtidas" como falsas demonstrações de afeto

Ferramenta é usada para comunicação entre amigos e comercialização de produtos (Foto: Reprodução/O Livre)

O Instagram passou a impedir o público de ver a quantidade de likes nos posts de outras pessoas desde quarta-feira (17) e mudança se tornou um dos assuntos mais comentados na Internet ao longo da semana.

As discussões vão desde o impacto nocivo da rede social na vida de seus usuários até a redução dos argumentos de venda para quem usa a plataforma como ferramenta de trabalho.

A suspensão do recurso foi anunciada em abril, mês em que foi colocada em prática no Canadá, em caráter de teste. Na avaliação da empresa, a alteração transformará a plataforma em um ambiente mais saudável, menos competitivo e ainda reduzirá os casos de bullying.

Segundo o professor do curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Maelison Silva Neves, os likes são como termômetro da popularidade de quem faz parte da rede, algo essencial na sociedade de espetáculo em que vale a seguinte regra: mais do que ser feliz, é preciso parecer feliz.

Desta forma, ele explica que existem duas formas de se absorver o like: como um sinônimo de solidão, impotência e inferioridade, ou como uma ideia de falso afeto.

Todo esse cenário, de acordo com o professor, vem do modelo de construção do cotidiano, onde os espaços para as trocas presenciais de afeto estão cada vez mais restritas.

As pessoas dedicam muito tempo ao trabalho, transporte e atividades extras, o que causa sobrecarga. Assim, a sociabilidade fica comprometida e a habilidade de interagir atrofiada.

E para quem trabalha?

A influencer Digital Mariana Almeida (@marianaalmeida_oficial) acredita que a mudança será uma espécie de “peneira” de mercado, impactando negativamente somente os profissionais que não se preocupam com conteúdo.

Pessoas que, segundo ela, usam o número de likes e seguidores para conseguir clientes, quando estas duas métricas são comercializadas na Internet.

“Eu já estudei muito sobre o assunto e vi que, no meu caso, não haverá dano. Sempre trabalho com meus clientes outras métricas e a principal ferramenta de fidelização é a venda”.

Mariana atua nos segmentos de cosméticos, lifestyle e autoestima. Ela conta que tem um foco e só aceita divulgar o que usa. Isso reduz as formas de captação de novos clientes, mas garante um público realmente envolvido com o produto.

Ela ainda lembra: contas comerciais, em geral, não usam o número de seguidores e de curtidas como métricas para o trabalho. Outros dados, como alcance e impressão, são fornecidos pelo próprio Instagram.

Essas métricas continuam visíveis para o proprietário da conta. São números que não podem ser comprados e, atualmente, usados como estatística para comprovar a credibilidade e abrangência dos canais.

(Atualizada em 22/07 às 9h45)

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