Filha de garis homenageia os pais em ensaio fotográfico de formatura

Estudante passou anos caminhando por duas horas para conseguir concluir o ensino médio

Toda conclusão de curso é um feito que evoca a satisfação dos pais, uma sensação de dever cumprido. Mas para pais de Vanessa dos Santos, de 18 anos, que são garis, a satisfação foi ainda maior. E para homenageá-los, a estudante fez um ensaio fotográfico.

Ela concluiu neste mês o ensino médio no Colégio Coronel Virgílio Távora e o curso técnico profissionalizante em Informática na escola Maria Cavalcante Costa, o Liceu de Quixadá, cidade do interior do Ceará.

Vanessa mora com a família no Bairro Monte Alegre e andava 2 horas a pé para chegar ás aulas, no Centro da cidade.

Os pais dela, Iracilda, 36 anos, e Moisés dos Santos, 45, interromperam os estudos entre o 3° e o 4° ano do ensino fundamental, mas sempre incentivaram que os cinco filhos fossem além. Outra filha do casal, de 20 anos, também concluiu o ensino médio, em 2018.

Moisés trabalha como gari há mais de 20 anos e Iracilda há algumas semanas. Vanessa conta que, devido ao amor entre o casal, eles só trabalham lado a lado.

“Quando eu fazia o fundamental, meus colegas de turma me chamavam de filha do lixeiro. Me sentia mais forte ainda. Nunca fiquei triste por estarem falando assim comigo. O erro não estava em mim, sim neles”, relata.

A ideia de fazer as fotos no local de trabalho de Moisés e de Iracilda foi do fotografo Cleyton de Paula.

Ele conta que, para realizar o desejo de Vanessa de ser fotografada com os pais, pegou a estudante e um de seus irmãos mais novos em casa e os levou para o Centro de Quixadá, de surpresa.

Os pais adoraram. A realização de formar mais uma filha aumenta ao lembrar das dificuldades que passaram para cuidar da família.

Moisés passou dois anos morando em Fortaleza, a procura de emprego, enquanto sua esposa e filhos se sustentavam com menos de R$ 300.

O futuro reserva mais

Agora, Vanessa pretende ingressar no curso de licenciatura em História na Universidade Estadual do Ceará (Uece), se tornando a primeira da família a cursar o ensino superior.

Ela aguarda o resultado do Enem e conta que seu desejo inicial era estudar na Capital, mas devido às dificuldades financeiras, é mais provável que permaneça em Quixadá.

“Sempre tive orgulho dos pais guerreiros que Deus me deu. Sempre admirei a atitude deles, nunca abaixaram a cabeça pra ninguém por que eles sabiam que tinha alguém pra cuidar”.

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