Festa em Cancún entre amigos de MT é abortada pela covid

O que deveria ser uma comemoração de virada de ano se transformou em corrida por hospitais, diante da saturação do sistema de saúde mexicano

Professora Eliane Amorim (primeira à direita) com amigos em viagem para Cancún (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

A professora Eliene Marques de Amorim, 40, e um grupo de seis amigos saíram de Cuiabá, com destino ao México, para passar a virada do ano em Cancún. Mas o plano foi abortado já durante o voo. A perda de respiração e sinais cansaço obrigaram Eliene a passar por atendimento de primeiros-socorros antes mesmo do pouso de escala, na Cidade do México. 

Eles chegaram ao país no dia 31 de dezembro e palmilharam a cidade a atrás de vaga em um hospital. Receberam somente “não” em cada parada. Os hospitais alcançados declararam não ter condições de atender estrangeiros, já estavam com saturação na ocupação de leitos. 

“Eles atendiam a gente à porta, do lado de fora do hospital. E quando conseguimos entrar em um hospital, eles cobraram 5 mil dólares por diária. Quando ouvi isso, começou a dar um desespero”, diz a jornalista Agda Catulé. 

O caso só foi resolvido com a entrada do consulado brasileiro na questão e já em Cancún. A professora deu entrada já com registro de situação grave a gravíssima. O resultado positivo para a covid-19 saiu nessa quinta-feira (7). A informação chegou aos amigos também por meio do consulado. 

“Se não fosse o consulado brasileiro, nós estaríamos perdidos. O próprio hospital só passou a dar tratamento mais específico para Eliane depois que o consulado interveio. Nós tivemos que procurá-lo porque não sabíamos mais o que fazer”, conta Agda. 

Segundo ela, a companhia aérea na qual chegaram ao México prestou socorro até o pouso do avião, na Cidade do México. “Não chamaram nem ambulância para levá-la para um hospital de urgência”, pontua. 

Pouca informação

Os seis amigos que aguardam o passar do tempo do lado de fora da unidade de saúde têm contato esporádico. O hospital em que Eliane está internada só aceita passar informação para o consulado. Em 2021, o contato deles com Eliane foi somente por meio de vídeo gravado e áudio pelo WhatsApp. 

“O cônsul que está cuidando do caso pediu que a gente fizesse um vídeo, dizendo que está tudo bem e que estamos aqui fora por ela. Esse vídeo chegou até a Eliane e recebemos um áudio em que ela está muito cansada, com a voz fraca”, disse. 

A informação de boletim médico que receberam nessa quinta-feira diz que o quadro da professora está evoluindo para a melhora. O uso da bomba de oxigênio vem sendo retirada aos poucos. Contudo, não há previsão de alta. 

“Tudo isso vai ser discutido pelo consulado com o hospital. Eles vão dizer quando será a alta, se ela poderá embarcar para o Brasil logo que deixar o hospital”, conta a jornalista.  

Eles devem passar exames para identificação de contágio nessa sexta-feira (8), uma semana após a chegada ao México. O voo do grupo de volta para Mato Grosso está marcado para o dia 11 deste mês.

Eliene e o marido, que faz parte do grupo, devem ficar mais tempo em terras mexicanas, mas o cronograma do restante das pessoas também pode mudar, se os resultados derem positivo. 

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1 COMENTÁRIO

  1. O sistema de saúde do México tá tão comprometido quanto ao do Brasil e os bonitões querem fazer o quê? Fazer viagem de turismo e comemorar aniversário em plena pandemia. Cada um faz o que quer, ainda mais com o seu próprio dinheiro. Mas isso aí, é procurar problema. Insensatez mesmo!

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