Ferrogrão e o fim dos gargalos

É inconcebível que a logística continue sendo o principal gargalo para a produção de Mato Grosso

(Anápolis - GO, 31/07/2019) Cerimônia de Assinatura do Contrato de Concessão da Ferrovia Norte-Sul . Foto: Alan Santos/PR

O governo federal planeja promover 44 leilões de concessões na área de transportes no próximo ano, com uma meta de atrair R$ 101 bilhões de investimentos em rodovias, ferrovias, aeroportos e portos.

Segundo o Ministério de Infraestrutura, alguns dos quais são concedidos pela BR-163 no Mato Grosso e no Pará e pela concessão da ferrovia Ferrogrão, a 1.142 milhas entre Lucas do Rio Verde (MT) e Miritituba (PA).

Como o estado de Mato Grosso é o maior produtor de grãos do país e o setor agropecuário é responsável por mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB), é inconcebível que a logística continue sendo o principal gargalo para essa produção. Por isso, esse anúncio do governo federal é recebido com muita satisfação pelo setor produtivo.

Uma pavimentação da BR-163 foi concluída este ano, o que já significa um grande avanço para os estados do Pará e Mato Grosso. Mas, quem passa por lá sabe quem é o principal corredor para o transporte de produção agrícola do Estado com um fluxo diário muito alto e que o tráfego costuma ficar lento, considerando que grande parte da rodovia ainda é simples.

Essa situação abre um questionário sobre o prazo de concessão da concessão responsável pela rodovia que conclui a duplicação até o município de Sinop, que vence em abril de 2019. É preciso saber quando essa obra será de fato encerrada, pois trata de um eixo singular na produção agrícola do país e pelo qual todos os que atravessam pagam pedágio.

É indiscutível a importância da BR-163, como a rota de escoamento da produção agropecuária de Mato Grosso, e essa concessão significa aumento de eficiência e fluidez. O cenário é animador, já que hoje tem uma capacidade permitida no porto de Miritituba (PA) de 15 milhões de toneladas e uma série de projetos está na fila para ser instalado na região.

A parte de ferrovias ou destaque vai para uma concessão de Ferrogrão, sem trecho entre Lucas do Rio Verde e Miritituba. Uma perspectiva da construção real do Ferrogrão é uma injeção de ânimo para o agronegócio mato-grossense e para sua população. O projeto de construção da ferrovia indica uma possibilidade de geração de 13 mil postos de trabalho durante uma fase de obras. É um movimento importante nesse momento em que a geração de empregos é uma das mudanças dos brasileiros.

Como o maior desafio dos municípios da região norte do Mato Grosso é o projeto de safra, o projeto do Ferrogrão abre espaço para expansão da produção de soja, milho, algodão e outras culturas, além de ser uma alternativa mais eficiente do ponto de Vista ambiental e energética para o escoamento dessa carga do Estado.

O investimento de R$ 12,6 bilhões reduz em 30% o custo de produção da agropecuária de Mato Grosso, segundo estudo realizado e apresentado por seis empresas do governo federal. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estima uma capacidade de escoar 58 milhões de toneladas de grãos por ano.

Segundo o estudo de viabilidade, se a ferrovia estiver funcionando, ou o custo do frete seria de R$ 110 por tonelada, quase a metade do valor pago no frete rodoviário. Além de reduzir os custos de escoamento da produção e manutenção das rodovias, como ferrovias ainda significam mais segurança nas estradas com diminuição do fluxo de veículos pesados.

Torque, agora, para que cenário se torne ainda mais favorável com a possibilidade de abertura de concessão para outros projetos de construção e ampliação ferroviária que cortam o Estado, tendo em vista que apenas com concorrência entre empresas e os modos de transporte se pode atingir o preço tão sonhado de frete justo para o escoamento da nossa produção.

Além de que o transporte se dá com “mão e controle”, ou seja, ao passo que a escoa também recebe, abrindo ainda mais oportunidades e investimentos em Mato Grosso, que pode refletir no bolso do cidadão ao acessar produtos que usam fretes mais baratos e que chegam no menor tempo nas prateleiras dos lojistas.

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* Miguel Vaz Ribeiro é produtor rural, empresário e membro do conselho executivo da Fiagril

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