Fávaro diz que ápice da divergência com Taques foi desvio do Fethab

O ex-vice-governador e presidente regional do PSD, Carlos Favaro é um dos mentores do manifesto elencando motivos para não apoiar a reeleição do governador Pedro Taques (PSDB).

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Um dos mentores do manifesto elencando motivos para não apoiar a reeleição do governador Pedro Taques (PSDB), o ex-vice-governador e presidente regional do PSD, Carlos Fávaro, afirmou, em entrevista ao LIVRE na tarde desta terça-feira (24), que diverge do governo desde o início do mandato, mas que o ápice foi o desvio de finalidade dos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) e que esperou o momento certo para externar o conflito de ideias.

“Eu falava internamente. Divergi muito, mas fazia isso para alguns secretários e principalmente para o governador. Eu falava: Pedro eu acho que isso não está certo, não vai dar certo. Eu sempre colocava meu posicionamento, mas ele é o governador, eu tinha que respeitar. Depois de um tempo eu comecei a me sentir muito contrariado e precisava externalizar, até mesmo para não perder minha origem”, declarou.

Como exemplo, Fávaro citou o Fethab, cujo desvio de finalidade, alvo de CPI em andamento na Assembleia Legislativa, afirma ter existido. “Eu, quando presidente da Aprosoja, protocolei uma ação contra o ex-governador porque utilizou dinheiro do Fethab para fazer obras da Copa. Nada contra as obras da Copa, mas não é a finalidade do Fethab. O Fethab é destinado à infraestrutura, a garantir estradas para todos os mato-grossenses. Daí um governo que eu defendi, um governo que eu faço parte, está desviando a finalidade do fundo que defendi junto aos produtores que dobrassem, está cometendo o mesmo erro do governo passado, que eu condenei. Não posso ficar calado”.

O ex-vice-governador afirmou, contudo, que a hora certa para a ruptura, segundo a legislação eleitoral, era seis meses antes das eleições. “Então, com aval do partido, renunciei ao mandato para ter liberdade para assinar uma carta como essa e, agora sim, me manifestar, do meu jeito”.

Ainda conforme Fávaro, ele espera que o manifesto ponha um fim nas acusações pessoais que repercutiram nos últimos dias entre o governador e o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde e pré-candidato ao governo, Otaviano Pivetta (PDT).

“O Pivetta tem uma mágoa pessoal e entendo que, do jeito dele, disse muito do que está nessa carta, mas eu quero me atentar e chamar todos os companheiros a discutir as causas do porquê não apoiamos mais Pedro Taques e, no próximo passo, dentro dos próximos dias, os pilares de um Estado que nós acreditamos ser mais eficiente, deixando totalmente as questões pessoais de lado. Gostaria que tratássemos só no campo das ideias e vou trabalhar para isso”, ponderou.

Fávaro pontuou ainda que não há motivos para comemorar, que a carta é motivo de “tristeza e decepção”. “Depois de um projeto por meio do qual queríamos que o Estado entrasse nos trilhos, passados 3 anos e meio, na hora de discutir um novo mandato, o Estado estar com tanta deficiência, ingestão e dificuldade dá tristeza e nossa obrigação é apontar, no momento exato onde se discute a nova eleição, os motivos pelos quais entendemos que o Pedro não deve ter um novo mandato. Esclarecendo porque queremos discutir um novo modelo de gestão”.

Segundo ele, a carta não tem sigla partidária, pois é a manifestação pessoal de cada líder que não se sente mais confortável em apoiar a eleição de Pedro taques. “O mais importante era explicar à população porque nós o apoiamos em 2014 e agora não apoiamos mais”.

Embora tenha tantas divergências de ideias com o governador, Fávaro garante que a relação de amizade continua boa e amistosa.

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