A música parou antes da valsa. O ministro Luiz Fux suspendeu a aplicação da redistribuição das vagas na Câmara dos Deputados para as eleições de 2026, e Mato Grosso segue, por ora, com 8 deputados federais e 24 estaduais — ou seja: o cortejo de comemorações foi empurrado para 2030.
O que decidiu o STF (em versão curta e prática)
Fux atendeu pedido para adiar a aplicação da mudança até que o processo legislativo seja concluído no Congresso. A justificativa oficial foi a necessidade de segurança jurídica e respeito ao princípio da anualidade eleitoral — em bom português: não se muda a regra quando falta menos de um ano para a eleição marcada para 4 de outubro de 2026.
Por que Mato Grosso “perdeu” a festa
Com base no Censo 2022, havia expectativa de que Mato Grosso ganhasse ao menos uma vaga na bancada federal — o que empurraria a Assembleia Legislativa de 24 para 27 deputados. Havia até propostas que ampliariam o número de cadeiras na Câmara para 531, com compensações que poderiam elevar a bancada mato-grossense a 9 ou até 10 deputados. O veto presidencial e a posterior movimentação política judicial deixaram tudo em banho-maria.
As vozes da ALMT (e o show de indignação)
O deputado Eduardo Botelho classificou a indecisão como prejuízo: segundo ele, Mato Grosso perde força política, emendas e representatividade, além de dificultar a vida de quem já vinha articulando candidaturas.
Já o deputado Júlio Campos não economizou no dramatismo: chamou a decisão de “palhaçada”, apontando que o recuo beneficiou estados que perderiam vagas e prejudicou os que cresceram na população — uma bronca que misturou razão constitucional com acusações às costuras políticas por trás do processo.
O imbróglio legislativo (a novela do veto e do pedido de adiamento)
Em junho foi aprovada uma lei fixando 531 deputados e novos critérios; em julho o presidente Lula vetou integralmente o texto. Diante disso, o Congresso ainda não concluiu o processo legislativo. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, pediu ao STF que a mudança fosse adiada para 2030, e Fux acatou — decisão que, na prática, mantém o status quo para 2026.
O que muda — e o que não muda — para o eleitor
Na prática cotidiana do eleitorado mato-grossense: nada muda para 2026. O mapa de cadeiras que vigorou em 2022 permanece válido para a próxima eleição. A recomposição só poderá, segundo a decisão, valer a partir das eleições de 2030, quando a novela legislativa (espera-se) já tiver capítulo final.
Fecho cômico (mas com numerologia eleitoral)
Tem deputado que já estava ensaiando discurso de posse antes mesmo da urna abrir; tem outro que já imaginava mais emendas pingando. Resultado: todo mundo precisa remarcar a comemoração. A política promete voltar à pista — só que o DJ acabou de avisar que o som só volta em 2030.





