Famílias são retiradas de área da prefeitura e levadas para ginásio

Cerca de 49 famílias ocupavam a área pública no bairro Jardim dos Ipês. A desocupação foi realizada de maneira pacifica

Foto: Simone Casagrande

Crianças jogando bola em uma quadra poliesportiva sem ter a consciência que suas famílias acabaram de ser retiradas de uma área de ocupação e que têm apenas cinco dias para encontrar uma nova moradia. É este o cenário encontrado no ginásio do bairro Violetas, para onde a maioria das famílias retiradas da área pública do bairro Jardim dos Ipês, em Sinop, foram levadas após a reintegração de posse do terreno que aconteceu nessa quarta-feira (16).

Bastante abalada com a saída da pequena moradia que construiu (de madeira e bem modesta feita com doações), Valeria Silva de 24 anos, mãe de dois filhos pequenos, diz não ter para onde ir e que foi “enganada” pela assistência social do município.

“Para eu sair rápido do local me disseram que íamos vir para cá e depois iam arrumar um local melhor para morarmos, ia ter um cadastro na habitação, mas só depois que cheguei aqui e mudou a equipe, fiquei sabendo que tenho quatro dias para arrumar uma nova casa. Eu não sei nem como vou alimentar meus filhos nesses dias, muito menos como vou conseguir uma casa”, diz com ainda temendo ficar na rua.

Ao lado dela, uma senhora de 59 anos com um olhar bastante distante também não se conformava com sua nova condição. Nadir Mendes disse que estava na ocupação há cerca de dois meses e que vive de uma aposentadoria de um salário mínimo.

“Tivemos que sair de lá, antes eu estava em uma casa alugada no conjunto habitacional Daury Riva, que era para ser de famílias carentes, mas a pessoa que era dona da casa conhecia gente importante e ficou com o imóvel para alugar. Quando tive a oportunidade de ir para a ocupação, não pensei duas vezes, quis ter meu lugar. Agora não sei para onde vou, mas tenho certeza que não posso pagar aluguel, alimentação, remédios. No Brasil é assim mesmo: o pobre é sempre deixado de lado, parece que ninguém se importa, tira esse povo e pronto. Agora ninguém vê que aquela área é da prefeitura não estávamos pegando de ninguém”, desabafa.

Na fila para ver a demolição da sua casa estava a família do pedreiro Fernando José Hernandes Moraes Silva, 47 anos, que há dois anos morava no local. Ele conta que a decisão de ir para a ocupação foi um ato desesperado para sair do aluguel.

“Somos em quase 12 pessoas em casa, tenho filhos pequenos e minha mulher está desempregada, tive que optar pelo aluguel ou sustentar minha família. Agora estamos nesta situação sem ter para onde ir”, disse desolado.

Assim como eles 49 famílias serão retiradas da área. A desocupação foi pedida pela prefeitura, que obteve liminares na justiça.

“A reintegração de posse foi proposta em janeiro do ano passado, sendo deferida a ordem em fevereiro desse ano. Os oficiais de justiça já vieram e notificaram os moradores e não foi acatada a saída voluntariamente. Por isso a necessidade de requisição de reforço policial. O local é uma área institucional, ou seja, de preservação permanente, sequer a prefeitura pode explorar. Os moradores da área estavam ilegalmente e, apesar da ordem judicial não ter recomendação de levar as famílias para algum local, a prefeitura os acomodará no ginásio onde poderão colocar seus objetos durante um prazo de 5 dias até encontraram uma residência”, explicou o assessor jurídico do município, Carlos Mielgar.

Acompanhando toda a operação o major Mario Willian Ribeiro, da PM, informou que a desocupação foi realizada de maneira pacifica.

 “Na verdade, a saída foi feita com mais tranquilidade do que esperávamos, percebemos que a área era mesmo ocupada por famílias de boa índole, boa-fé que acabaram comprando um sonho que se tornou um pesadelo. Infelizmente é uma ordem judicial que não deve ser discutida no local, tem que ser cumprida e depois verificada nos tribunais. Tudo ocorreu dentro do esperado”, informou.

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