Famílias em alerta: 397 pessoas estão desaparecidas em Mato Grosso

Polícia Civil criou página no Facebook e conta no Instagram para auxiliar na busca de pessoas desaparecidas. Você conhece alguma delas?

Há 10 anos, Vera Souza convive com a ausência de sua filha, Pamela Souza Freitas. Pamela estava visitando a mãe quando ela ainda morava no município de Comodoro (640 km da Capital). Em 31 de maio de 2009, a jovem, na época com 23 anos, decidiu voltar para Cuiabá. Desde então, Pamela nunca mais foi vista.

“É muito doloroso, porque por meios legais eu vou ter que enterrar uma pessoa que eu não sei se está viva ou morta. Quando você sabe que uma pessoa está morta, você sabe onde encontrá-la. É um desaparecimento que dói, porque eu não sei o que aconteceu com ela”, contou Vera.

Informações sobre Pamela? Ligue (65) 98402-6447

Assim como Pamela, outras 397* pessoas estão desaparecidas na Região Metropolitana de Cuiabá.

Casos que deixam diversas outras famílias igualmente à espera de respostas. Semanalmente incidentes como este são registrados pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

De acordo com o levantamento da Polícia Judiciária Civil, das 361 pessoas desaparecidas até a primeira quinzena de junho, apenas 35 não foram localizadas. Este é um excelente índice de resolução dos casos, como avalia o delegado titular da DHPP, André Renato Gonçalves.

Segundo ele, em 2017, 92% dos casos foram solucionados, quando 853 pessoas desapareceram e 785 dos casos foram elucidados.

Já em 2018, este índice alcançou os 93%, com 823 desaparecimentos e 769 pessoas localizadas.

De acordo com o delegado, o motivo seria a estruturação do núcleo, que vem sendo realizada desde 2017, com servidores atuando exclusiva e diariamente neste setor.

Motivações

As motivações mais frequentes para os desaparecimentos são relacionadas aos problemas familiares, quando a pessoa decide por conta própria se afastar do convívio da família.

“A grande maioria dos casos são de adolescentes que vez ou outra acabam tendo alguma desavença familiar e acabam saindo de casa”, pontuou o delegado.

Ainda de acordo com o levantamento, 59% dos casos de desaparecimento tiveram como motivo principal o afastamento do convívio familiar, seguido de 35% relacionados a pessoas com problemas mentais, que não voltam para casa.

Redes sociais

O núcleo decidiu trabalhar com um aliado poderoso na propagação de informação: as redes sociais. No caso do Facebook, a página “Desaparecidos – Polícia Civil Mato Grosso”, já atingiu a marca de mais de 8 mil curtidas. Diariamente, fotos e informações de pessoas que desapareceram são postadas – e compartilhadas por muitos dos usuários.

Em uma postagem mais recente, do desaparecimento de Fabiana da Silva, já teve mais de 400 compartilhamentos, a maioria de pessoas dispostas a ajudar. O trabalho é feito pelos próprios servidores da delegacia, que abastecem as redes sociais sempre que um novo caso surge ou é solucionado.

Mais recentemente, o núcleo aderiu ao Instagram, onde as postagens são feitas por meio do feed de notícias e pelos stories. Ainda tem pouco mais de 200 seguidores, mas já segue uma tendência adotada em outros estados que tem dado muito certo.

“A mídia social neste caso tem ajudado bastante. Hoje em dia todo mundo acessa, muita gente tem um smartphone. Isso tem colaborado muito para a localização destas pessoas. Nós aliamos este trabalho com a panfletagem em locais de grande circulação de pessoas e a divulgação nos veículos de imprensa”.

Homicídios

Em média, são registrados diariamente pelo núcleo cerca de duas ou três ocorrências de desaparecimento na região metropolitana. E a maioria dos casos caminham para um final feliz. Nos três primeiros meses deste ano, dos 220 desaparecimentos, 97% destas pessoas foram localizadas com vida.

Mas são estes 3% que preocupam as autoridades e familiares: seis pessoas foram localizadas neste mesmo período, no entanto sem vida. Ao todo, dois homicídios, dois suicídios e dois casos ainda sem informações sobre o que ocorreu.

Caso emblemático tratado como desaparecimento em Cuiabá e relembrado pelo delegado da DHPP foi das ossadas encontradas em maio deste ano de duas mulheres que seriam ex-companheiras de Adilson Pinto da Fonseca, acusado de mata-las.

Talisa de Oliveira Ormond, de 22 anos e Benildes Batista de Almeida, de 39, estavam desaparecidas desde 2013. O caso foi primeiramente tratado como desaparecimento, mas logo que as investigações apontaram para um possível crime praticado pelo mesmo homem, a investigação tomou um novo rumo.

“Um homicídio você investiga a partir do cadáver, você já tem a materialidade. Já o desaparecido, não. Se for um homicídio oculto, ele se torna muito mais complexo de ser investigado, porque não tem um corpo. Você não sabe se essa pessoa está morta ou se está viva. Então tem que ser uma investigação muito cautelosa e difícil, como foi no caso das duas mulheres que solucionamos somente este ano”.

Mitos

O que muita gente não sabe é que o desaparecimento de alguém não necessariamente precisa ser comunicado às autoridades competentes em um prazo de 48 horas, como explicou o delegado.

“Para registro de Boletim de Ocorrência de pessoas desaparecidas não existe tempo. Falar que é 24 ou 48 horas, não existe. Você registra um BO de pessoa desaparecidas quando você entende que aquela pessoa saiu da rotina dela”.

O delegado orienta que tanto em Cuiabá quanto em Várzea Grande, o Boletim de Ocorrência pode ser realizado em qualquer delegacia. Este registro é feito automaticamente via sistema ao Núcleo de Pessoas Desaparecidas. Já em caso de informações e denúncias, o contato pode ser feito via Ciosp pelo 197 ou pelo telefone do núcleo (65) 3901-4823.

Desaparecidos

Estas são algumas das pessoas que desapareceram recentemente. Você tem notícia de alguma delas? Ajude a Polícia Civil!

* Número de desaparecidos divulgado pela polícia até o dia 19 de junho, data de fechamento da matéria

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