A vida de Fabíola Cássia Garcia Nunes mudou para sempre depois da noite de 28 de novembro de 2022. O que começou como uma briga entre crianças se transformou em um episódio traumático para toda a família: a empresária viu sua casa, no condomínio Florais dos Lagos, em Cuiabá, ser invadida por policiais do GOE sob o comando do delegado Bruno França Ferreira, então padrasto do menor envolvido na discussão.
O LIVRE conversou com exclusividade com o advogado Maurício Aude, que hoje representa Fabíola. De acordo com ele, o episódio deixou marcas físicas, psicológicas e financeiras profundas.
Condenação e novos processos
Fabíola recentemente foi condenada a nove meses de reclusão em regime aberto por supostamente perseguir o enteado do delegado, em sentença proferida pela juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa. Mas desde que sua casa foi invadida, ela também move uma ação contra o delegado e o Estado de Mato Grosso, alegando abuso de autoridade e invasão domiciliar, além de pedir indenização por danos morais, materiais e estéticos.
Trauma familiar
As consequências, afirma a defesa, foram devastadoras. Fabíola, que havia passado por uma cirurgia nas mamas pouco antes do episódio, desenvolveu complicações pós-operatórias em razão do estresse intenso.
A filha de apenas quatro anos ficou traumatizada: desenvolveu gagueira e, por meses, repetia perguntas carregadas de medo. “O moço com a arma vai entrar de novo? Estou com medo”, relatava diariamente, segundo o advogado.
O marido, médico, também sofreu: ficou meses sem conseguir trabalhar em tempo integral para acompanhar a recuperação da esposa e apoiar emocionalmente os filhos.
Impacto milionário
A ação movida pela empresária pede uma indenização que ultrapassa R$ 1,2 milhão contra o delegado Bruno França Ferreira e o Estado de Mato Grosso. O valor está dividido em R$ 650 mil por danos morais, R$ 561 mil por danos materiais, incluindo custos diretos e perdas financeiras, e R$ 50 mil por danos estéticos, totalizando R$ 1.261.086,03.
Pedido de desculpas
O próprio delegado Bruno França chegou a reconhecer que excedeu durante a ocorrência e pediu desculpas em manifestação posterior. Ainda assim, a família cobra responsabilização judicial, tanto dele quanto do Estado, por considerar que a invasão representou uma violação inaceitável de direitos.
Sofrimento ainda longe do fim
A família Nunes segue tentando reconstruir a rotina, mas admite que a vida nunca mais voltou ao normal depois do episódio. Entre traumas emocionais, sequelas físicas e perdas financeiras, o caso permanece em aberto na Justiça — e, ao que tudo indica, ainda está longe de ter um desfecho definitivo.
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