Falso médico liga para famílias de pacientes de hospital em Cuiabá e pede dinheiro

Ele chega a dizer que se o dinheiro não for depositado para que algum procedimento seja feito, o paciente não terá cinco dias de vida

Como se não fosse o bastante lidar com um familiar internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), famílias de pacientes do Hospital São Mateus, em Cuiabá, estão sendo vítimas de estelionato.

Um falso médico, que usa o nome Fernando Tavares, tem ligado para familiares de pacientes internados na UTI do hospital falando que o paciente precisa de um exame, medicamento, ou procedimento para melhorar e o plano de saúde não liberou, por isso, a família precisa pagar algum valor em dinheiro, sempre próximo a R$ 5 mil.

Vítimas

Nessa sexta-feira (24) três famílias foram vítimas. A primeira foi a de um idoso de 63 anos, que está na UTI do hospital tratando de leucemia e infecções.

O golpista ligou para a esposa da vítima por volta das 8h dizendo que era o médico Fernando Tavares e que precisava de autorização para realizar um procedimento no idoso. Acreditando no suspeito, a mulher passou o número do filho do paciente.

O suspeito, então, ligou para o filho da vítima, passou o nome de uma suposta recepcionista e pediu cópias de alguns documentos, como RG e comprovante de residência, e um comprovante de depósito de R$ 5.970, pois, segundo ele, um plano de saúde não havia liberado o exame e se este não fosse feito o pai não iria aguentar cinco dias e iria morrer.

Em desespero, a família disse que o médico poderia realizar o procedimento, que iriam depositar. Porém, como o falso médico ligava a cada 10 minutos perguntando do depósito, a família desconfiou e ligou para o médico que trata do pai, que os alertou sobre o golpe.

A família conversou com a coordenação do hospital e foi informada que o nome do hospital vinha sendo usado para um golpe de estelionato.

Mais tarde, por volta das 10h30, o golpista ligou para um jovem de 24 anos, cuja avó está internada na UTI do Hospital São Mateus em estado grave.

Nesse caso, o golpista disse que a senhora havia sido diagnosticada com cardiopatia e precisava realizar exames com urgência, não podendo esperar a autorização da Unimed. Por isso, era necessário que a família pagasse R$ 6.840 e que, depois, o plano estornaria esse valor.

Em desespero, o neto fez a transferência imediatamente. Somente depois ele ligou no hospital e foi informado que se tratava de um golpe e que não havia nenhum médico com esse nome no São Mateus.

Já às 12h10, uma mulher de 57 anos recebeu a ligação do golpista. Ela está com um irmão internado na UTI do Hospital São Mateus com suspeita de covid-19.

O falso médico, ainda usando o nome Fernando Tavares, disse que o irmão dela precisava passar por alguns exames e seria prescrito um medicamento que melhoraria a condição respiratória dele em até 90%, mas que ela precisava depositar R$ 4.950 na conta de um médico chamado Bruno O. Moraes para que o remédio fosse fornecido.

Ela, no entanto, foi ao hospital conferir a veracidade da informação dita por telefone e foi informada que se tratava de um golpe.

Os casos serão investigados pela Polícia Judiciária Civil.

O que disse o São Mateus?

Em nota, o Hospital São Mateus informou que não autoriza qualquer cobrança de valor devido a serviços prestados, feita em domicílio ou por telefone, com emissão de boletos ou orientação de depósitos.

O hospital destacou ainda que tem como procedimento padrão orientar sobre tais questões em suas rotinas e na admissão de novos pacientes, por meio de informativo assinado pelos mesmos. Além disso, a informação a respeito dos procedimentos para contato com familiares dos pacientes é amplamente divulgado inclusive em nosso site.

O hospital também pede ao cidadão que receber telefonemas dessa natureza, em nome do hospital, que notifique a direção e a polícia e lamenta ter seu nome vinculado a um fato desta natureza que afeta igualmente outras instituições em todas as unidades da federação.

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1 COMENTÁRIO

  1. Prezados senhores, esse crime, óbvio, foi considerado pela polícia civil com co-participação de alguém dentro do hospital para fornecer informações privilegiadas. Como poderia saber nomes, idades e telefones dos familiares?. Maldade fazer tais coisas com os pacientes e as famílias.

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