Falência e desemprego: 40% dos bares e restaurantes não conseguirão reabrir em Cuiabá

Estabelecimentos demitiram até 100% dos funcionários, acumulam dívidas com fornecedores, de água, energia elétrica e não terão condições para a retomada

Bares e restaurantes tiveram que fechar com medidas de isolamento (Agência Brasil)

A quarentena forçada pela pandemia do novo coronavírus deve representar o fim das atividades comerciais para cerca de 40% dos bares, restaurantes e estabelecimentos similares instalados em Cuiabá.

Esses segmentos foram os primeiros a sentir o impacto no faturamento com a queda de movimento a partir de março e estarão dentre os últimos a retomar o funcionamento.

“Os restaurantes começaram a sentir a crise da pandemia mesmo antes do decreto do isolamento social. As pessoas já haviam começado a frequentar menos por entender que era para evitar aglomeração. Nós estamos há pelo menos 60 dias parados”, disse a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MT), Lorenna Bezerra.

(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal) A associação diz que restaurantes e bares têm condições de atender público e não entende resistência da prefeitura

Conforme a Abrasel, a Capital tem hoje cerca 20 mil bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos semelhantes. E – uma vez paralisados – o tempo de vida para eles já expirou há mais de um mês.

A estimativa está sendo feita pela Abrasel com base em estudos no país, que apontam vida útil de apenas 15 dias em caso de suspensão das atividades cotidianas.

Um mês e ponto

A empresária Paula Borges abriu seu gastrobar e rotisserie no dia 20 fevereiro, exatamente um mês antes do primeiro decreto municipal que determinou o fechamento de quase todo o comércio e o isolamento social em Cuiabá.

Ela contratou pessoas, assinou agenda de fornecimento com empresas e reformou o prédio de seu estabelecimento para a inauguração. Entretanto, no dia 21 março já estava com as portas fechadas.

“Dispensei 70% da equipe. Perda de 60% do faturamento. Estamos com delivery, mas o que recebemos não cobre nossos custos fixos, mais todo o investimento que deve ser pago mensalmente”, afirma.

(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal) A empresária Paula Borges conseguiu manter seu estabelecimento aberto por exato um mês antes de chegar a crise e o decreto de restrição comercial

Demissões e dívidas acumuladas

A queda vertiginosa nas vendas para os empresários que continuam atendendo forçou a demissão de quase o quadro completo de funcionários e fez o volume dívida aumentar na casa dos 80% em poucas semanas.

Nem produto de maior consumo conseguiu se salvar da crise. O dono de um choperia instalada no Pantanal Shopping diz que tem sérias preocupações sobre a retomada das atividades.

“Suspendemos o contrato de 100% da nossa equipe. Não fizemos o pagamento dos aluguéis desde então e nem de outras despesas, ou da fornecedora, pois estamos sem reserva alguma. Só de estoque perdido o prejuízo passou de R$10 mil”, expõe.

A situação tem se repetido para vários empresários e as dívidas alcançam também as faturas de água, telefone e energia elétrica.

“Diante desta crise, tivemos que suspender 90% dos funcionários e voltar muitos passos atrás para tentar sobreviver a este momento. Os compromissos estão sendo adiados. Com muito custo conseguimos pagar os salários dos colaboradores, para que os mesmos possam ter o que comer em casa. Fornecedores, água, luz, entre outros, ficaram sem previsão”, afirma o empresário Fabrício Diego, dono de um restaurante.

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