Fabris entra com recurso para escapar da Ficha Limpa e MPF se manifesta contrário

Parlamentar tenta “descongelar” os votos obtidos na disputa pela reeleição

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O Ministério Público Federal se manifestou contra o recurso apresentado pelo deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) na tentativa de escapar da Lei da Ficha Limpa. Condenado por peculato (desvio de recursos públicos), o parlamentar tenta “descongelar” os votos obtidos na disputa pela reeleição, o que tiraria a vaga do deputado reeleito professor Allan Kardec (PDT).

A manifestação se trata de contrarrazões assinada no dia 8 pela procuradora Regional Eleitoral Cristina Nascimento de Melo, que atua como parte contrária a Fabris. O vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, na condição de fiscal da lei, também se manifestou em parecer, no dia 13, contra o pedido do parlamentar.

Ambas as manifestações foram juntadas ao recurso ordinário. Depois disso, o ministro-relator, Admar Gonzaga, determinou nessa terça que Fabris também se manifeste em dois dias. Tudo será julgado pelo pleno do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

O caso vem ganhando destaque no meio jurídico porque pode representar um esvaziamento da Lei da Ficha Limpa. Fabris foi condenado por órgão colegiado: o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT), que teve a confirmação da condenação do parlamentar por peculato aprovada no dia 11 passado e já enviada para conhecimento da Justiça Eleitoral.

Fabris foi condenado a 6 anos e 8 meses por desvio de R$ 1,5 milhão quando era presidente da Assembleia Legislativa. Ele havia obtido decisão liminar na Justiça estadual para suspender a condenação e participar da eleição, mas isso foi revogado pelo próprio TJMT.

Curiosamente, Admar Gonzaga ficou conhecido por ter antecipado publicamente o voto contra a candidatura do ex-presidente Lula em 2018. Ele usou a tese de que o petista havia sido condenado por órgão colegiado antes do pleito. Caso vote a favor de Gilmar, o ministro-relator estará usando dois pesos duas medidas para casos similares.

O recurso de Fabris é assinado pelo ex-ministro também indicado para o TSE pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Eduardo Alckmin.

Outro lado:

O deputado estadual Gilmar Fabris afirma que prepara recurso às instâncias superiores para reverter a decisão do Tribunal de Justiça. “E a partir daí obter o registro de candidatura de acordo com as exigências da legislação eleitoral em respeito à vontade democrática do eleitor mato-grossense que lhe conferiu 22.913 votos”, conforme nota enviada pela assessoria de imprensa.

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