Fábio Garcia costura acordo para Mauro Mendes assumir PSB

Ednilson Aguiar/O Livre

Mauro Mendes, encontro do PSB

Mauro Mendes comandou PSB de 2013 a 2015

O ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes pode assumir a presidência do PSB em Mato Grosso em substituição ao deputado federal Fabio Garcia. O acordo está sendo costurado pelo próprio ex-presidente, destituído do cargo no final de abril, que pretende manter o partido no mesmo rumo e sob liderança do mesmo grupo político. As conversas estão sendo feitas diretamente com o presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira. Na mesa de negociações, foram colocadas questões nacionais do PSB, além das locais.

“A nomeação do Mauro seria uma saída sustentável para manter nosso grupo político”, explicou o presidente do PSB em Cuiabá e secretário de Estado de Agricultura Familiar, Suelme Evangelista. “A escolha do Mauro é boa para todo mundo. O importante é achar uma solução para não termos que sair do PSB. Essa crise demonstrou uma unidade muito grande, que teria rachado qualquer outro partido”, comentou.

A cúpula estadual do PSB demonstrou solidariedade a Garcia, destituído da presidência por votar a favor da reforma trabalhista, contrariando a orientação partidária. A bancada de deputados estaduais e federais chegou a cogitar uma desfiliação em massa do PSB. Eles ainda pediram à direção nacional que reconstituísse a comissão provisória da sigla, com Garcia na presidência.

“Fabio e Adilton Sachetti (deputado federal) fizeram a defesa do grupo político. Ele disse ao Siqueira que poderia penalizá-lo pessoalmente pela votação, mas que não penalizasse o partido. Isso está sendo levado em consideração. E agora o ambiente é mais favorável para a conciliação”, disse, referindo-se ao fato de as reformas nacionais estarem em compasso de espera com a crise política que atinge o governo Michel Temer (PMDB).

Para Adilton Sachetti, o possível retorno de Mauro ao comando do PSB favorece o partido. Ele afirmou, ainda, que vai manter suas bandeiras na votação das reformas e outros projetos que forem alvo de orientação partidária. “O partido diz que não está mais no governo Temer, mas nosso grupo não abre mão da independência. Vou votar de acordo com a minha consciência em todas as situações. Ninguém colocou condicionante ou cabresto para eu me filiar”, declarou.

Mauro Mendes foi presidente do PSB de Mato Grosso entre 2013 e 2015 e conduziu a reconstrução da sigla depois que o deputado federal Valtenir Pereira (hoje no PMDB) saiu do partido levando 11 dos 12 prefeitos filiados – somente Mendes ficou. De lá para cá, o PSB cresceu e elegeu dois deputados federais e três estaduais. Em 2016, a sigla elegeu 15 prefeitos.

A gestão de Mendes teve momentos de tensão durante a campanha eleitoral de 2014, quando ele foi acusado de privilegiar algumas candidaturas em detrimento de outras. O principal beneficiado teria sido justamente Fábio Garcia, que era secretário de Governo de sua gestão. A campanha de Eduardo Botelho para a Assembleia Legislativa também teria recebido atenção especial do prefeito. A atitude provocou ciúmes em candidatos que se sentiram “patrolados”.