Excesso de mudanças

Mudar é bom, mas o excesso de mudanças pode dificultar o resultado esperado

(Foto: Ross Findon/Unsplash)

O ex-técnico de futebol do Flamengo, o português Jorge Jesus, conquistou praticamente todos os títulos que disputou em um período de menos de um ano e meio (2019-2020).

O técnico português tinha uma mentalidade vencedora, exigia o máximo de seus atletas nos jogos, acompanhava os treinos físicos e táticos de seus jogadores e sempre mantinha a mesma equipe nas partidas de futebol, sem descanso, mesmo que ainda existisse cansaço aparente por parte de alguns membros da equipe.

Jorge Jesus quase não mudava a composição de sua equipe. Exigia o máximo e a dedicação extrema de seus atletas.

Eu sempre defendo nos meus textos, nas minhas palestras que devemos mudar sempre com o intuito de aperfeiçoar e conquistar vitórias e sucessos.

Há um adágio muito conhecido no mundo do futebol que diz: “Em time que está ganhando, não se mexe”. A ideia é boa, contudo, não podemos nos aquietar com essa mentalidade. Se for necessário mudar, que se mude, se não, o melhor a fazer é treinar e aperfeiçoar aquilo que já está pronto e que já demonstra resultado.

Já o novo técnico do clube rubro negro, o espanhol Domènic Torrent Fon, assumiu o clube em 30 de julho de 2020. O Dome, como também é conhecido, tem um pensamento distinto do técnico antecessor. Ele prefere poupar os jogadores titulares para evitar que ocorram lesões nos atletas, o chamado rodízio de jogadores, ou seja, em praticamente todos os jogos que disputou ele montou equipes distintas, com mudanças de atletas e mudanças de posições de atletas.

Jesus foi um grande vencedor e o seu nome estará perpetuado na história do Flamengo e na história do futebol brasileiro. Já Dome, ainda está implantando a sua nova filosofia de trabalho, que é excesso de mudanças e rodízios entre os atletas. A cada dia percebemos uma evolução na equipe de 2020, não obstante ainda não chegou ao mesmo nível e nem às conquistas da equipe de Jesus.

A indagação que devemos fazer é a seguinte: Será que o excesso de mudanças pode atrapalhar no desenvolvimento do atleta? O excesso de alterações pode emperrar a implantação de rotinas de trabalho do jogador? Será que o excesso de mutações em nossa vida pode quebrar a continuidade dos propósitos e sonhos? Será que estamos entrosados com a dinâmica e a forma de desempenhar os nossos trabalhos?

Já critiquei por diversas vezes o trabalho do novo técnico, uma vez que ele está trabalhando com uma equipe que ganhou praticamente tudo na temporada 2019-2020, mas resistente, implantou uma nova filosofia de trabalho em curtíssimo prazo, sem tempo para tal atitude, além da alternância de jogadores.

Na minha concepção, o excesso de mudanças não tem provocado um resultado satisfatório, apesar de a equipe ter conquistado muitas vitórias. É nítido que a falta de entrosamento da equipe e carência de treinamento tem dificultado essa evolução, sobretudo do sistema defensivo do Flamengo, o qual em quase todos os jogos sofreu pelo menos um gol. (31/10/2020).

Vale a pena mudar em excesso? Devemos refletir a esse respeito, pois algumas pessoas querem mudar exageradamente aquilo que não precisa. O melhor a ser feito é mudar sempre, porém, naquilo que carece de mudança para melhor e não simplesmente mudar por mudar.

Imagine o excesso de mudança em um ambiente de trabalho. Reflita sobre o excesso de mudanças no ambiente de uma casa. Veja o excesso de mudança em metodologia para se aprender a estudar. Perceba o excesso de mudanças de um time de futebol.

Mudança em demasia pode provocar irritabilidade da equipe. O excesso de transformações pode causar grande ansiedade e estresse. A mudança demasiada pode provocar desinteresse e desconforto dos envolvidos. O excesso pode gerar instabilidade nos colaboradores.

Infelizmente, não fomos planejados para mudar sempre, por isso que ocorre um certo desconforto quando é anunciada a mudança na chefia, na rotina, no trabalho, na equipe, enfim.

Que utilizemos de sabedoria para avaliar cuidadosamente aquilo que precisa realmente ser modificado. Que tenhamos sensatez ao mudar. Que usemos de inteligência para formar rotinas e hábitos em nossas equipes visando um resultado excepcional. Que haja mudanças democráticas com a participação de todos os envolvidos. Que o sucesso venha ancorado em mudanças equilibradas.

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Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso e Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT. Palestrante Nacional, Professor, Coach e Mentor. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz” e “Singularidade”.

http://www.francisney.com.br

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