Movimentações financeiras e aquisições de bens de luxo colocaram o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Filho, e a esposa dele, Thaisa Hoffmann, no centro de um dos maiores esquemas já investigados no órgão. Documentos enviados à CPMI do INSS no Congresso revelam que o casal teria acumulado R$ 18,3 milhões em patrimônio durante o período em que Virgílio atuou para liberar descontos de aposentados vinculados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Luxo em meio à suspeita
Durante as investigações, Thaisa Hoffmann, que atua no ramo de consultoria, comprou um Porsche Cayenne híbrido avaliado em R$ 787 mil, em nome de sua empresa THJ Consultoria, com sede em Curitiba. A aquisição foi feita em agosto de 2024, no auge das denúncias sobre o esquema.
Entre 2022 e 2024, ela também realizou a compra à vista de três imóveis que somam R$ 3,47 milhões, incluindo um apartamento de R$ 2,5 milhões no bairro Campo Comprido, em Curitiba, uma sala comercial na mesma cidade e outro imóvel de alto padrão às margens do Lago Paranoá, em Brasília.
Carros de luxo mesmo sob investigação
Mesmo após se tornar alvo da Operação Sem Desconto, Virgílio continuou com movimentações expressivas. Em maio de 2025, relatórios do Coaf registraram a intenção de compra de um Audi A5 Sedan Performance, de R$ 380 mil. Pouco tempo depois, ele concluiu a aquisição de uma Mercedes-Benz GLB 35 AMG, avaliada em R$ 508 mil.
A “Farra do INSS”
O nome de Virgílio aparece ligado a repasses de ao menos R$ 11,9 milhões vindos de empresas participantes do esquema batizado de “Farra do INSS” — um sistema que aplicava descontos indevidos em aposentadorias e repassava valores a intermediários.
Segundo as investigações, cerca de R$ 7,5 milhões teriam sido destinados à esposa dele, Thaisa, por meio do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”.
Carreira e queda
Servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU), Virgílio comandou a Procuradoria-Geral do INSS entre 2020 e 2022, e voltou ao cargo em 2023, permanecendo até abril de 2025, quando foi afastado judicialmente e, depois, exonerado pela AGU.
Riqueza em ritmo suspeito
Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que o patrimônio do ex-procurador cresceu R$ 18,3 milhões durante o período sob investigação. A CGU aponta que parte desse valor pode ter origem em pagamentos ilegais, e que Virgílio teria favorecido a Contag ao liberar descontos associativos de forma irregular — contrariando normas técnicas do próprio INSS.




