Ex-diretor da Caixa delata que recebeu propina da Rede Cemat

Ele confessou ter favorecido empresas ao destinar recursos do FGTS

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O ex-superintendente de Fundos de Investimento Especiais da Caixa Econômica Federal, Roberto Madoglio, afirmou, em sua delação premiada, que recebeu propina de empresas do setor elétrico para destinar recursos do fundo de investimento do FGTS. Entre elas, o Grupo Rede, que detinha a concessão da Centrais Elétricas Mato-grossenses (Cemat) e de distribuidoras em outros Estados.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, o delator confessou ter recebido R$ 8 milhões em 2010 para aportar R$ 600 milhões do FI-FGTS no Grupo Rede. Ele disse que a propina foi oferecida por Maurício Quadrado, da Planner Corretora. O Grupo Rede quebrou em 2013. Com ajuda de Madoglio, o FI-FGTS passou a ter 25% de participação na empresa e evitou prejuízo em função de cláusulas contratuais que garantiram condições privilegiadas na recuperação judicial.

O ex-diretor também citou o caso da Hidrotérmica S/A, do Grupo Bolognesi, que recebeu R$ 360 milhões do FI-FGTS. Em 2010, segundo o FI-FGTS, a empresa tinha projetos de hidrelétricas no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso.

Madoglio assinou acordo de delação premiada nas operações Sépsis e “Cui Bono?”, que investigam desvios na caixa. Ele se comprometeu a devolver R$ 39,2 milhões que recebeu de forma irregular. Além do Grupo Rede, ele disse ter recebido propina da J. Malucelli Energia e da Hidrotérmica, que somam R$ 10 milhões. Juntas, as três empresas receberam R$ 1,2 bilhão do FI-FGTS, fundo formado com parte do dinheiro depositado na conta dos trabalhadores.

Outro lado

A Caixa, em nota, disse que os fatos da delação são alvo de apurações internas. A Hidrotérmica disse desconhecer o teor das declarações da Madoglio e afirmou que Ruyzen não é mais funcionário e está sendo processado pela companhia.

A Energisa, atual dona do Grupo Rede, informou desconhecer os fatos, anteriores à atual gestão. A J. Malucelli não respondeu. A assessoria de imprensa da Planner não conseguiu contato com os executivos da corretora.

Leia a reportagem do Estadão na íntegra.

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