|terça, 21 agosto 2018

    “Eu não vou carregar carga de Paulo”, diz Pedro Taques

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    Ednilson Aguiar/O Livre

    Governador Pedro Taques

    Governador Pedro Taques: cada um que responda por seus eventuais crimes

    O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou na manhã desta segunda-feira que “não responde” por eventuais atos ilegais de seu primo Paulo Taques, na época em que ele era secretário-chefe da Casa Civil.

    Em reportagem do último dia 07, o LIVRE publicou matéria mostrando que dois investigados na Operação Bereré, Roque Anildo Reinheimer e Marcelo da Costa e Silva, relataram em seus depoimentos que, desde o fim de 2014, foram instruídos a tratar de questões jurídicas relacionadas à empresa EIG Mercados com o escritório de Paulo Taques. Roque e Marcelo afirmaram que o escritório advocacia do primo do governador Pedro Taques (PSDB) e então secretário-chefe da Casa Civil passou a representar a EIG (antiga FDL), desde o resultado das eleições de 2014. A empresa está no centro da investigação sobre um esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

    Segundo Pedro Taques, enquanto secretário o seu primo não poderia advogar, mas seu escritório poderia continuar trabalhando. “Mas eu não vou carregar carga de Paulo. Tudo deve ser investigado”, afirmou o governador, que voltou a bater na tecla de que questionou o contrato entre o Detran e a FDL no início de sua gestão.

    Sócios da Santos Treinamento e Capacitação de Pessoal Ltda, Roque e Marcelo relataram estar inconformados com o fato de a empresa ter sido retirada do contrato com o Detran, em janeiro de 2015, quando iniciou o governo Taques. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), a Santos era usada para lavar o dinheiro da propina do contrato da FDL e distribuir aos beneficiários.

    Roque disse que chegou a se reunir com Paulo na Casa Civil para tratar do assunto. “Ao iniciar as conversas com Paulo Taques, percebeu que este ficou um pouco alterado e de certa forma acabou intimidando o interrogando, e que então desistiu de prosseguir na conversa”, diz trecho do depoimento ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), em 19 de fevereiro, quando a operação foi deflagrada.

    Para tentar reaver seus ganhos referentes à participação de 7,5% na Santos e anular o distrato, Roque entrou na Justiça.

    Amigo de colégio
    Marcelo afirmou, em depoimento no dia 20 de fevereiro para a Delegacia Fazendária (Defaz) que, no fim de 2014, Roque o chamou para uma reunião em Brasília na casa de José Neto, onde ele foi apresentado a Valter José Kobori, o novo CEO da FDL. Segundo Marcelo, Kobori lhe disse que “a questão administrativa da FDL ficaria a cargo dele, bem como a questão política”.

    Para isso, segundo Marcelo, o novo presidente da companhia alegou que tinha estudado no colégio São Gonçalo com Jorge Taques, irmão e sócio de Paulo Taques. Além disso, Jorge Taques havia sido seu advogado na sua separação. “Assim iria ser responsável pelas tratativas da manutenção do contrato perante o novo governo que segundo as pesquisas seria vencida por Pedro Taques, primo de Paulo Taques”, diz o depoimento.

    Marcelo disse que, em janeiro de 2015, a FDL deixou de repassar os lucros para a Santos, “deixando evidente que dessa forma os repasses deixaram de ser pagos para a Santos para atender outros interesses”. Ele disse ainda que não concordou com o “distrato fraudulento” da sociedade entre a FDL e a Santos.

    Ameaças de prisão
    Segundo Marcelo, como ele, seu irmão Antonio Eduardo e Roque não aceitaram o distrato, “passaram a ouvir comentários nas ruas que seriam presos”, “que chegavam recados […] de que eles iriam ser presos pela Defaz” porque havia uma investigação sobre esse contrato, o que motivou Antonio e Roque a entrarem com habeas corpus preventivo no Tribunal de Justiça. Segundo ele, os boatos não faziam menção aos sócios da FDL, apesar de as duas empresas terem a mesma participação no contrato.

    Marcelo afirmou, ainda, que a repactuação realizada em 2015, já no governo Taques, que aumentou o percentual de repasse ao Detran, de 30% para 50% da arrecadação do contrato, na prática não diminuiu o lucro da empresa porque aumentou o valor das taxas de registro.

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