Estudo aponta que sua opinião sobre política pode ter sido manipulada pela internet

“Em cada país, há pelo menos um partido político ou agência de governo usando redes sociais para moldar atitudes públicas”, concluíram os autores

Partidos políticos promovendo campanhas por meio do WhatsApp cujo único objetivo é “propositalmente difundir ou amplificar desinformação”. A conduta foi registrada no Brasil, em 2018 – ano de eleição -, segundo a pesquisa “Ordem Global de Desinformação-2019”.

Desenvolvido pelo Instituto de Estudos sobre Internet da Universidade de Oxford, na Inglaterra, o levantamento identificou que práticas assim – uso de redes sociais para manipular eleições – já chegaram a 70 países.

O mesmo caso do Brasil foi identificado nas eleições da Nigéria neste ano. Na Índia, candidatos utilizaram o impulsionamento de conteúdos para enviar mensagens manipuladas a eleitores.

“Em cada país, há pelo menos um partido político ou agência de governo usando redes sociais para moldar atitudes públicas domesticamente”, concluíram os autores.

Facebook é o caminho

Embora sejam inúmeras as redes sociais, o levantamento apontou o Facebook como o principal agente de campanhas de manipulação. Ele teria sido utilizado em 56 países para a promoção de campanhas visando influenciar processos políticos.

A segunda plataforma com mais casos registrados foi o Twitter, canal escolhido para ofensivas orquestradas em 47 países. Em seguida vêm WhatsApp, YouTube e Instagram.

No caso do Brasil, as campanhas de manipulação ocorrem fundamentalmente pelo WhatsApp, pelo Facebook e pelo Youtube.

O estudo aponta ainda que em muitas situações a prática se profissionalizou. Em pelo menos 25 países, as iniciativas foram realizadas por empresas cujo negócio é trabalhar a propaganda computacional.

Entre os serviços, elas ofertam estratégias e ferramentas complexas.

Robôs

De acordo com a pesquisa, 80% das campanhas utilizaram bots, jargão adotado no setor para denominar robôs que podem ser empregados com a tarefa de replicar conteúdos. Utilizando contas falsas nas redes sociais, eles publicam mensagens automatizadas.

Outra modalidade são as “contas ciborgue”, que são peradas por robôs e humanos. O Brasil foi indicado como local onde as duas estratégias ocorrem.

No tocante ao tipo de material distribuído, em 89% dos países, as mensagens eram contra os opositores de quem contratou o serviço. Em 71% das nações, as campanhas eram de propaganda de governos ou partidos. Em 34% dos casos, foi adotada abordagem de espalhar publicações visando a polarização dos cidadãos e a divisão do país.

Além dessas táticas, também houve assédio para desencorajar a participação política, formas de distração para confundir ou desviar a atenção da opinião pública.

Somam-se a estas práticas a presença de “trolls” – contas cuja abordagem agressiva visa desestabilizar ou atrapalhar um debate online.

O Brasil aparece como palco de todos esse tipos de estratégias.

Interferência externa

Em pelo menos 26 países, esse tipo de propaganda computacional é empregada por regimes autoritários para controle do debate público. Isso ocorre com a finalidade de diminuir ou contestar direitos dos cidadãos, atacar grupos políticos oponentes e diminuir a força e o alcance de opiniões divergentes.

Outro fenômeno registrado no levantamento foi a influência externa nas disputas políticas de outras nações. Entre os países apontados pelo estudo com estas características estão Rússia, Índia, Irã, Paquistão, China, Arábia Saudita e Venezuela.

Além das agências russas que atuaram nas eleições dos Estados Unidos, outro país atuando fora de suas fronteiras, conforme foi indicado no relatório, foi a China.

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