Estudantes deixam a guarita, mas seguem ocupando blocos da UFMT

As mobilizações desta segunda-feira (07) devem se concentrar na reunião onde representações discentes e docentes pedem reorganização do calendário dos 27 cursos que estão em greve

Após pedido de reintegração de posse das ocupações no Campus Cuiabá, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), estudantes saíram da entrada da instituição na madrugada desta segunda-feira (07), alarmados pelo boato de que a Polícia Militar iria realizar a dispersão nesta manhã. Eles afirmam que irão ocupar outros espaços e pedem a readequação do calendário acadêmico em reunião da administração, que acontece durante o dia.

“Sexta-feira à noite nós recebemos a decisão judicial de que deveríamos desocupar todos os espaços da universidade. No sábado de manhã veio um oficial aqui falando que a gente teria algumas horas para informar a desocupação, então saímos da guarita e viemos para este bloco didático. Estamos realizando plenárias para alinhar nossos próximos passos”, afirma a estudante de Radialismo, Ana Carolina de Mello.

“Rolou um terrorismo, a galera aqui passou a noite acordada, viemos às 4h para cá. Enquanto a gente estava acampada, passavam carros gritando ‘vai trabalhar vagabundo’”, reclama. Ela também afirma que o movimento está alarmado com carros e pessoas suspeitas rondando o campus repetidamente.

Estudantes agora se concentram no Bloco Didático do Direito e no Restaurante Universitário para acompanhar a transmissão da reunião do Consepe. Foto: Ednilson Aguiar/OLivre

Durante o dia, o movimento estará concentrado no Bloco Didático, atrás da Faculdade de Direito, e no Diretório Central dos Estudantes, em frente ao Restaurante Universitário, ambos para acompanhar a transmissão da reunião do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Consepe).

Na ocasião, representações discentes e docentes pedem a inclusão da pauta de dilação do calendário acadêmico nos 27 cursos que estão em greve estudantil. Segundo Ana Carolina, cerca de 90 estudantes dos campi do interior estão em Cuiabá para acompanhar a deliberação.

“Os professores que se organizam pela Adufmat afirmaram que irão pedir a inclusão da proposta de readequação do calendário acadêmico para a gente fazer nossa manifestação sem sermos perseguidos por professores que querem continuar dando aula”, conta Ana. “A gente precisa ter uma garantia do Consepe de que vamos ter as aulas que estamos perdendo”, complementa a estudante de Geografia, Jacqueline de Oliveira.

Foto: Ednilson Aguiar/OLivre

Como indicou a admissão de autoria dos hackers neste domingo (06), segundo Ana Carolina, as ações de invasão dos sites da UFMT e da Prefeitura de Cuiabá não tem ligação direta com o movimento, mas refletem suas reivindicações. Para ela, a visibilidade dos hackers acaba resultando em uma “faca de dois gumes”.

“Enquanto estudante de Comunicação Social eu entendo que essa foi uma janela de visibilidade para tudo que está acontecendo não só aqui na UFMT. A ação não tem ligação direta com o movimento de ocupação, mas a gente já está incomodando e as nossas reivindicações como isenção de ICMS, auditoria do contrato da UFMT com a empresa Novo Sabor, Agricultura Familiar, estão alinhadas com reivindicações nacionais”, explica.

“Mas a gente nunca sabe quem realmente foi, porque a repercussão pública disso acabou também criminalizando o nosso movimento, então estamos tentando entender o que está rolando”, ressalta.

Leia também: Empresa de Alan Malouf recebeu R$ 9 milhões por alimentação na UFMT em 2016

Foto: Ednilson Aguiar/OLivre

Entenda

Um grupo de estudantes bloqueava a entrada do Campus Cuiabá desde o dia 24 de abril, contra a proposta da administração de aumentar, a partir de maio, o valor da refeição, que hoje custa R$ 1. De acordo com a nova política de alimentação, estudantes com renda superior a 1,5 salário mínimo pagarão R$ 11; os com renda inferior terão gratuidade; e os que apresentarem critérios de vulnerabilidade de um edital, pagarão $ 5.

Em entrevista ao LIVRE em fevereiro, a administração da UFMT justificou a nova medida como uma forma de manter o equilíbrio orçamentário da instituição e ampliar a gratuidade do serviço.

“O orçamento para custeio e investimento das universidades vem caindo, ano a ano. O orçamento de 2017, teve redução de cerca de 38% nos recursos destinados ao capital, utilizado para realização de obras e aquisição de equipamentos, e de aproximadamente 4,5% na verba destinada ao custeio, referente a manutenção de despesas básicas”, explicou o Pró-Reitor de Administração, Bruno César.

Atualmente, em torno de 1500 estudantes recebem o auxílio alimentação, após se submeterem a edital. Nesta reestruturação, a projeção é alcançar o dobro de estudantes beneficiados com a gratuidade. Significaria potencializar o que a política de assistência estudantil já se compromete; que é a priorização dos mais vulneráveis”, afirmou a pró-reitora de Assistência Estudantil, Erivã Garcia Velasco, em nota.

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