Estudante é preso ao dizer que não poderia ser parado por policiais negros

Caso aconteceu no Bairro Santa Rosa, em Cuiabá

Ilustrativa / Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Um estudante de Direito de 19 anos foi preso nessa quarta-feira (24) em Cuiabá, acusado de injúria mediante preconceito ao, durante uma abordagem da Polícia Militar, dizer que não poderia ter sido parado pelos policiais porque eles eram negros e, ele, branco.

Os policiais estavam em rondas pelo Bairro Santa Rosa, em Cuiabá, por volta das 14h40, quando viram um Hyndai HB20 prata em velocidade acima do normal, acharam a situação suspeita e, por isso, resolveram pará-lo para averiguação.

O motorista obedeceu a ordem e os militares pediram que ele e o passageiro descessem do carro e colocassem as mãos na cabeça. O condutor obedeceu; o passageiro, porém, recusou-se.

Os policiais deram a ordem novamente por várias vezes, até que o passageiro desceu do carro e foi em direção à parte traseira, sem colocar as mãos na cabeça. Ele, então, disse: “Vocês conhecem o A.?”.

Os policiais ordenaram mais uma vez que ele colocasse as mãos na cabeça e o rapaz continuou: “Vocês conhecem o A., chefe da Polícia do Bairro Santa Rosa? Se vocês não conhecem, vão conhecer”.

A equipe revistou os dois jovens e ordenou que eles ficassem do lado para que o carro fosse revistado. Nesse momento, o estudante voltou a questionar se os policiais conheciam o A., até que afirmou que não poderia ser abordado por ser estudante de Direito e começou a questionar porque os policiais estavam apontando a arma para ele.

Os militares explicaram que fazia parte do procedimento operacional padrão, pois não sabiam se os rapazes ofereciam algum risco.

O rapaz, então, respondeu, apontando para sua própria pele: “por isso”. “No sentido de que não poderia ser abordado por ter a pele branca e por ser estudante de direito. (…) Ressaltando que os policiais que compõem a guarnição apresentam a pele de cor parda para negro e o soldado PM G. J. possui a pele negra”, consta no boletim de ocorrência.

Os policiais deram voz de prisão ao rapaz imediatamente e ele foi encaminhado para a Central de Flagrantes de Cuiabá, acusado de injúria mediante preconceito, desobediência, resistência e ameaça.

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