“Estamos em estado de guerra e precisamos da população”, diz caminhoneiro

De acordo com as lideranças do movimento, a adesão dos motoristas tem crescido em todo o país

Mais de dez quilômetros de filas em ambas as saídas de Sinop (500 Km de Cuiabá), em um movimento pacífico, marcou a concentração do grupo de caminhoneiros que lideram a greve da categoria na região Norte do Estado na tarde desta quarta-feira (23).

“Nós estamos em guerra para termos as mínimas condições de vida. Hoje, do que ganhamos com o frete, cerca de 85% fica no valor do combustível. Isso sem falar no desgaste do caminhão. Essa luta não é só nossa, porque se baixar o valor do combustível para nós, também reduz para a sociedade e também caem os custos dos preços dos produtos”, disse Nilson Ramires, representante do movimento e motorista há 39 anos.

Ramires ainda fez questão de lembrar que as entidades estão começando a apoiar o movimento promovido pelos caminhoneiros.

“Hoje recebemos uma ligação do Sindicato Rural de Sinop para se unir à gente, trazer maquinários para a pista, e mostrar que estão nos apoiando. Não podemos mais seguir sem condições mínimas de vida”, ressaltou.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso, Antônio Galvan, divulgou um vídeo na rede oficial da instituição, demonstrando apoio à categoria.

“A Aprosoja apoia este movimento, com o objetivo de reduzir o preço dos combustíveis. Sabemos das dificuldades que vamos enfrentar já que precisamos terminar de escoar a safra de soja, e precisamos destes espaços nos armazéns para se colocar o milho que está iniciando a colheita. Mas somos solidários, porque sabemos também que esses preços dos combustíveis nos atingem diretamente, seja no frete que onera os produtos ou seja na atividade direta”, disse o presidente.

Galvan ainda convocou todos os associados para participar ativamente do movimento levando, inclusive, maquinários para as rodovias.

“Temos que ter um manifesto pacífico e ordeiro, que tenha o convencimento da sociedade dessa paralisação. Por isso eu vos conclamo para a adesão”, finalizou.

Impacto
Na manhã desta quarta-feira (23) os Correios emitiram uma nota à imprensa para comunicar que as entregas estão suspensas por tempo indeterminado. “Tendo em vista comprometer a distribuição, também haverá o acréscimo de dias no prazo de entrega dos serviços Sedex e PAC (entrega não expressa), bem como das correspondências enquanto perdurarem os efeitos desta greve”, diz comunicado.

Ainda segundo a nota, os Correios estão acompanhando os índices operacionais de qualidade de toda essa cadeia logística e, tão logo a situação do tráfego nas rodovias retorne à normalidade, a empresa reforçará os processos operacionais para minimizar os impactos à população.

Já há o registro de falta combustível em vários postos do país, principalmente nas cidades do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Tocantins e Distrito Federal.

A Infraero também gerou um alerta dizendo que os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e os de Recife, Palmas, Maceió e Aracaju só têm combustível para hoje.

Reivindicações
Na pauta das reivindicações estão a redução da carga tributária sobre o diesel, zeragem da alíquota de PIS/Pasep, Cofins e a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), além da redução dos pedágios e isenção da cobrança para eixos erguidos.

Conforme a Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural (ANP), neste ano, o preço médio do diesel já apresenta 8% de alta. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este valor está acima da inflação acumulada no ano, que é de 0,92%.

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