Esse carro é fogo! Kombi faz 62 anos e continua no gosto dos brasileiros

Versátil desde que foi pensada, a Kombi nasceu para levar passageiros e cargas. Uma inovação para época, final dos anos 50

No dia 2 de setembro, a Volks comemora 62 anos da fabricação da primeira Kombi no Brasil (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A Kombi faz aniversário nesta segunda-feira (2) e, como boa sexagenária, soube se reinventar e continua firme no gosto dos brasileiros.

O veículo é versátil desde que foi pensado, já que uniria passageiros e cargas. Uma inovação para época, final dos anos 1950.

Ela foi fabricada até 2013 e, apesar do passar dos anos, permanece firme em 2019, com mais estilo e graça, alcançados com as técnicas de customização e restauração.

Quem está investindo no carro conhecido popularmente como “perua” é o casal Thiago Sinohara e Marília Bonna. Eles estão tratando com carinho uma Corujinha, ano 1975.

Para quem não é – ainda – um amante de Kombi, corujinha é o modelo com o para-brisa dividido no meio. Ela tem uma linha frontal em forma de “V” e a união dos traços se assemelha a cara do animal.

Thiago e Marília são proprietários do Sebo Rua Antiga, que era itinerante em um fusquinha e agora é fixo na Rua Joaquim Murtinho, Centro Histórico de Cuiabá.

A ideia é manter o espaço e, com a Kombi, retomar a atividade externa com muito estilo. Além de livros, revistas e discos, o veículo será adaptado para um café.

“Temos o objetivo de desenvolver o negócio, mas também de compartilhar nossas paixões”.

Conforme Thiago, o amor pela Volkswagen começou quando ele ainda era criança e andava no Fusca 69 do avô.

Dali surgiu o sentimento que se o levaria ao Fusca e posteriormente a Kombi.

“Resolvemos trocar de veículo por causa do espaço. A Kombi foi criada para carga e dará condições de ampliar o projeto. Ela é uma espécie de Fusca de carga”.

E Thiago não está errado. Os primeiros rascunhos do que seria a Kombi foram feitos nos blocos de anotações de Ben Pon, um importador holandês que pensou em fazer um veículo multiuso a partir do chassi do Fusca.

Sinônimo de liberdade

Poder carregar muita coisa e muita gente ao mesmo tempo foi, justamente, o que fez a administradora Bárbara Pereira Pinheiro se apaixonar pela Kombi.

E assim como no caso de Thiago e Marília, a ideia dela é transformar o veículo na sede sua empresa.

Bárbara já tem o negócio. Produz e vende laços e acessórios de cabelo para crianças. O nome da empresa já remete ao veículo: Kombi da Baú, como ela é mais conhecida entre os amigos. E até o mecânico para customizar a loja sobre rodas já foi escolhido.

“Agora, só falta a Kombi”, ela diz aos risos, pontuando que o dinheiro já está na conta. O problema é que se trata da conta do FGTS, de onde Bárbara ainda não conseguiu resgatar o valor.

Enquanto isso não acontece, Bárbara vende seus produtos no Bulixo do Sesc Arsenal de Cuiabá, quase sempre uniformizada com sua saia de kombis para identificar a marca.

Bárbara Pereira Pinheiro diz que sempre gostou da ideia de carregar muita gente e muita coisa ao mesmo tempo (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O sonho também era ter uma Corujinha, mas o alto custo de uma restauração fez Bárbara “customizar” a ideia inicial. O que, na sua avaliação, não muda o espírito de liberdade de poder levar seu negócio – e consequentemente sua família – para qualquer lugar.

“Tenho alma de hippie. Quero envelhecer tranquila com a Kombi cheia de arte na beirada da praia”.

Um carro que é (literalmente) fogo

Mas não só a capacidade de carga tornou a Kombi um carro famoso. O fato de seu motor pegar fogo com certa facilidade também a transformou em um ícone.

O curioso é que os incêndios não foram a razão para ela parar de ser fabricada. No Brasil, isso ocorreu em 2013, por motivo de segurança, mas não esse.

A causa foi a exigência prevista em lei de instalação de airbags dianteiros e freio ABS. Na ocasião, a Volks chegou de pedir uma exceção para o governo federal, mas não conseguiu.

Diante da negativa, o último lote saiu da fábrica em 18 de dezembro de 2013. A derradeira tinha chassi EP022.526 e foi direto para o museu da Volkswagen, em Hannover, na Alemanha.

Mas e o fogo? No YouTube, é fácil encontrar diversos vídeo de amantes de Kombi – eles são muitos mesmo – que explicam, não só porque os incêndios ocorrem, mas também como evitá-los.

A explicação está nas mangueiras que levam o combustível ao motor. Em geral, ou elas se desgastam com o tempo e o calor ou se rompem por causa da pressão.

Novo modelo

Um novo modelo, pra lá de moderno, da Kombi foi apresentado pela Volks no Salão de Detroit de 2017, referência do mercado automobilístico no mundo.

A nova versão será totalmente elétrica e a bateria dará autonomia de até 430 km.

No interior, haverá todo conforto e estrutura que favorece o uso do veículo para diversas atividades.

O banco do motorista, por exemplo, vira em até 360 graus para que ele possa integrar a mesa de baralho que fica no “salão”.

O modelo ainda não tem um nome próprio, mas é conhecida como conceito I.D Buzz.

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