“Essa turma não tem predileção; eles roubam o que dá pra roubar”, diz delegado

Dinheiro destinado para hospitais e merenda escolar era usado para pagar contas pessoais de ex-prefeito

Delegado da PF, Carlos Henrique Cotta D’Angelo (Foto: Aline Rezende/CMU)

O delegado da Polícia Federal Carlos Henrique Cotta D’Angelo afirmou que os alvos da Operação Tapiraguaia, que teve a segunda fase deflagrada nesta quinta-feira (22), “roubam o que dá para roubar”. A declaração foi feita em coletiva de imprensa, quando a PF passou o balanço da operação.

Nesta quinta-feira, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão. O ex-prefeito de Confresa (1.170 km de Cuiabá), Gaspar Domingos Lazari, é alvo dos dois mandados. Ele também teve os bens sequestrados pela Justiça.

A fala do delegado diz respeito a outros esquemas de desvio de recursos públicos que já foram descobertos na fase anterior. Na época, as investigações detectaram desvio de dinheiro que era destinado à construção de unidade hospitalar e de merendas.

“Na primeira etapa, viu-se um esquema de prefeitos desviando todo tipo de dinheiro. Essa turma não tem predileção por dinheiro federal, estadual, municipal. Eles roubam o que dá pra roubar. Da análise material chegou a essa segunda fase”, comentou o PF.

Segundo o delegado, Gaspar Lazari usava os empreiteiros envolvidos no esquema para pagar inclusive suas contas pessoais. Das contas identificadas, inclusive energia elétrica e contas do cartão de crédito foram envolvidas.

“Ele criava dívidas em hotéis aqui em Cuiabá, onde ele fosse, e falava para pagarem. Boletos, dívidas da família. ‘Ah, minha filha comprou não sei o que no cartão. Paga o boleto pra mim’. Dívidas pessoais. Isso mostra o grau de sacanagem desses caras. Eu arrumar uma empreiteira para pagar minhas contas fica bom”, informou D’Angelo.

De acordo com o delegado federal de Barra do Garças, Rafael Valadares, ao todo, o desvio já levantado teria superado R$ 1,5 milhão.

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