Esquema na Seduc: coordenador de escolas indígenas não encomendou materiais, diz delegado

Seduc gastou R$ 2 milhões com materiais, mas R$ 1,1 milhão teriam sido desviados

Delegado Luiz Henrique Damasceno, da Defaz (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Mais de R$ 2 milhões foram gastos pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc) com a compra de materiais escolares para instituições indígenas. No entanto, os materiais não foram solicitados pelo coordenador do setor e parte deles sequer teria sido entregue.

A afirmação é do delegado Luiz Henrique Damasceno, em coletiva de imprensa. Ele é titular da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz).

“O coordenador das escolas indígenas, que é um indígena, não foi consultado, à época, sobre esses materiais, quantidade e logística. Tanto que, do que foi entregue, boa parte chegou a ter data de validade vencida, por ausência de logística para entregar”, disse.

A suspeita de desvio de recursos é investigada na Operação Fake Delivery, deflagrada na manhã desta segunda-feira (19). Os alvos são os gestores da Pasta à época: a deputada federal Rosa Neide (PT) e o ex-secretário-adjunto Francisvaldo Pereira de Assunção.

Segundo Damasceno, ainda não é possível afirmar sobre a participação da deputada no esquema. No entanto, ela já prestou depoimento sobre o caso e apresentou controversas. Por isso foi alvo.

Contudo, em relação à Francisvaldo, a Defaz não tem dúvidas de sua participação. “A única coisa que a gente tem certeza é que foram desviados R$ 1,134 milhão. Para onde foi esse dinheiro, em material, só o Francisvaldo pode dizer”, garantiu.

O delegado explicou que R$ 884.956,48 em materiais chegaram a ser entregues na Seduc, no final de 2014. Foi Francisvaldo quem assinou 28 notas de recebimento. No entanto, “ninguém sabe onde material foi parar”.

Preso preventivamente, Francisvaldo já foi ouvido pela Defaz. À tarde, ele vai passar por audiência de custódia, no Fórum de Cuiabá.

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