Espetáculo circula por aldeias, quilombos e assentamentos de Mato Grosso

Criação de personagens foi inspirada por vivências e cotidiano de comunidades como essas

Quilombos, comunidades ribeirinhas, aldeias e assentamentos rurais são cenários para o espetáculo Cafundó, de Amauri Tangará. O protagonista tão reconhecido pela atuação como diretor de cinema e teatro, agora veste o personagem, melhor, os personagens. Em palco, Amauri dá vida a 12 deles. E como sempre, viaja na companhia da parceira de uma vida – e de muito trabalho – Tati Mendes, que aqui, assume produção e direção do projeto.

Depois de passar pelas comunidades de Mata Cavalo, Ribeirão das Pedras, em Jangada e a aldeia Umutina, em Barra do Bugres, nesta semana, eles chegam ao quilombo do Retiro, em Vila Bela da Santíssima Trindade, nesta quarta-feira (18). O projeto da turnê foi selecionado no edital Circula MT, da Secretaria de Estado de Cultura, e além da peça, inclui jogos teatrais, mostra de filmes e palestra.

“Pela primeira vez nestes 29 anos o espetáculo recebe apoio governamental. Ele teve sempre um caráter mambembe. A gente percorria várias cidades de ônibus, com o baú com o cenário e figurinos lá dentro. Íamos andando e decidíamos: ‘vamos parar por aqui mesmo e fazer’. Com este apoio podemos contar com uma estrutura melhor e possibilidade de ir para mais lugares. A proposta é devolver a estas comunidades, um pouco da alegria, conhecimento e motivação que as quatro ações juntas empreenderão e dessa forma agradecer e fortalecer a cultura popular”, declara a produtora da turnê, Tati Mendes.

Até agosto, eles levam as atividades artísticas ao Quilombo da Lagoinha de Baixo, em Chapada dos Guimarães (29/07); aldeia Bakairi – Pakuerã, em Paranatinga (31/07); Acampamento Padre José Ten Cate, em Jaciara (06/08); Assentamento Bordolândia, em Bom Jesus do Araguaia (11/08), Assentamento Serra Verde, em B. Garças (17/08) e aldeia Merure, em General Carneiro (20/08).

De acordo Tati, esses locais foram escolhidos não só pelo fato de terem poucas oportunidades e acesso limitado – quando não, raríssimo – a atividades artísticas como esta, mas também, porquê boa parte dos causos e histórias relatados por Amauri, foram inspirados por relatos de pessoas que viveram ou vivem nestes mesmos locais, que costumam ser muito semelhantes seja qual for o Estado.

[featured_paragraph]“Cafundó é uma compilação de causos, contos e lendas brasileiras, que perdura por 29 anos em cartaz. Acho que 50% do espetáculo é autobiográfico, tem muitas contribuições da família de Amauri, que tem essa origem rural, mas também, de várias outras histórias que ele foi ouvindo ao longo de suas andanças”, conta. [/featured_paragraph]

Segundo ela, o espetáculo começa com a chegada da bandeira de Santo Reis e durante a peça é feita uma “louvação” às comunidades marginais, dentre as quais ribeirinhas, de assentados e quilombolas. “Sem contar que são localidades onde a religiosidade ‘fala’ alto”.

Além do espetáculo outras atividades envolvem artista e comunidade. A oficina de jogos teatrais, a exemplo, Amauri ensina exercícios de concentração, introspecção, desenvoltura e desinibição em público, propriedades importantes não apenas para aqueles que querem investir na carreira teatral.

Também na programação, na palestra/bate-papo: Um Caipira no mundo das Artes, feita por Amauri, logo após o espetáculo, ele conta narra episódios da vida real, ou melhor, da sua vida dedicada à arte para revelar que é possível se dedicar à carreira, atualmente, ainda mais acessível.

“Por sua vez, a mostra de filmes é um plus a mais, já que cinema e teatro se misturam de forma indissociável na Cia D’Artes. O carro chefe é o média-metragem “Pobre é quem não tem Jipe” e depois mais dois ou três filmes das 53 Oficinas que a Cia realizou pelo mundo, mas o intuito é o mesmo das outras ações: mostrar à plateia que não há distância ou dificuldade para se ser ou realizar, quando se quer de verdade”, finaliza Tati.

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