Especialistas esperam poucas chuvas e incêndios devem continuar no Pantanal

Dados foram apresentados no Senado, onde parlamentares criticaram a demora dos governos para tomar atitudes

(Foto: Jeferson Prado)

Os focos de incêndios no Pantanal de Mato Grosso devem persistir nas próximas três semanas. Motivo: a baixa densidade de chuvas. O alerta foi feito pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), presidente da Comissão Externa do Pantanal, durante sessão plenária nesta terça-feira (22), após participar de reunião da Sala de Crise Hídrica da Bacia do Rio Paraguai, promovida pela Agência Nacional de Águas (ANA).

Durante mais de três horas, técnicos e especialistas mostraram dados que podem ser classificados como pessimistas sobre a possibilidade de chuvas mais intensas no bioma, pelo menos, até a semana entre 6 e 12 de outubro.

Nos próximos 14 dias, a previsão indica que as chuvas que cairão na região deverão girar em torno de 8 milímetros. Ainda assim, segundo eles, chuvas mal distribuídas.

“Aquilo que era esperança, que as nuvens voadoras chegariam ao Pantanal hoje ou amanhã, infelizmente, não acontecerá. Não há nenhum sinal de precipitação significativa” – relatou o senador, com base nos dados que foram apresentados.

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 15.756 focos de incêndio de janeiro até setembro, o maior índice desde que os números começaram a ser compilados.

Já o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirma que ao menos 2,9 milhões de hectares do Pantanal foram destruídos pelas queimadas, mais do que o dobro da área devastada pelos incêndios florestais na Califórnia (EUA).

Sem planejamento

Ao apresentar sua preocupação, Fagundes lamentou que o Brasil seja “um país da tradição da falta de planejamento”. Lembrou que a seca atual no Pantanal se assemelha a uma vivida há 47 anos. “O problema do Pantanal também está principalmente na sua cabeceira: o lixo e o esgoto que lá chegam são impactantes”.

No sábado (19), a Comissão Externa do Pantanal esteve visitando a área devastada. “Ficou muito claro que faltou planejamento e que as decisões foram tardias. O que vimos lá  é uma situação extrema, um prejuízo incalculável”, criticou o senador.

Fagundes lembrou que há várias vertentes para explicar esse fenômeno da seca e, consequentemente, dos incêndios florestais. Para ele, no entanto, essas razões devem ser debatidas longe de amarras ideológicas.

“Não há dúvida de que essa situação passa também pelos desmatamentos e ocupações irregulares na Amazônia brasileira, que alteram, sim, o ciclo das chuvas”.

(Com Assessoria)

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