|terça, 21 agosto 2018

    Escrever para aliviar a dor

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    A vida muda rápido.
    A vida muda em instantes.
    Você senta para jantar e a vida que você conhece acaba.
    Ah! A história das lamentações!
    (Joan Didion)

    Acabo de ler um livro que me fez pensar no motivo dos escritores usarem palavras para expor seus pensamentos.

    Seria um impulso narcisista? Como se, ao ser lido, o autor assume ter uma plateia? Seria uma forma de virar imortal, uma vez que textos podem ser eternos? Seria uma forma de dar vazão à nossa imaginação, já que palavras criam outros mundos, com novos começos e novos fins?

    Claro que não existe uma resposta. Todas são possíveis. Mas uma coisa é certa: em alguns casos, escrever é uma forma de aliviar a dor.

    Em O ano do pensamento mágico, Joan Didion usou a escrita como forma de terapia. Uma das grandes escritoras dos EUA na atualidade, ela iniciou a obra nove meses depois de perder o marido, que faleceu enquanto a única filha do casal estava inconsciente na UTI de um hospital próximo.

    Didion começou o livro quando achou que nunca mais fosse ter força ou coerência para escrever. Ela decide tentar encontrar o sentido de tudo o que viveu. Como se, ao racionalizar, a dor fosse compreensível. Aliás, o sonho de todos os escritores.

    No livro ela descreve os estágios do luto e relembra tudo o que aconteceu nos meses mais desafiadores de sua vida – principalmente sua impotência diante dos acontecimentos.

    Como a autora relata, passado o choque inicial, vem a sensação de anestesiamento. Você ainda pega o telefone para ligar para a pessoa que partiu, sente o cheiro nas roupas e o perfume pela casa. Depois, vêm os questionamentos. O que eu poderia ter feito para evitar a tragédia? Será que o outro sabia e eu não percebi? Suas últimas palavras foram premonitórias?

    O mais importante, no entanto, é como Didion tem consciência de sua negação, daí o nome do livro. Ela imagina que seu marido pode voltar e a vida retornará ao que era. Quando está arrumando as roupas dele para doação, por exemplo, ela não quer distribuir todos os sapatos. “Ele precisará de sapatos quando voltar”.

    Você certamente vai se solidarizar com a dor de Didion em seu ano de provação. Quando ela não só perdeu o marido, John Didion, companheiro de 40 anos, mas teve a vida revirada pela longa internação da única filha.

    Uma ótima oportunidade para mergulhar na história da escritora e aprender que, sim, sobrevivemos a tudo. Mortes, tragédias, dores imensuráveis, desespero. E que só há uma saída: encontrar algo que alivie nossa dor. No caso de Didion foi a escrita. E você? O que te mantém em pé?

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