Escolas fechadas e o impacto na saúde mental de crianças e adolescentes

Isolamento domiciliar e a falta de contato com o ambiente escolar são principais causas do sofrimento emocional em crianças e adolescentes

(Foto: Pixabay)

Há quase um ano, as rotinas de milhares de pais e crianças foram alteradas por causa da pandemia e suas intermináveis quarentenas. Com escolas fechadas, o processo educacional passou a ser mediado por telas.

Para além do aprendizado que, indiscutivelmente deve ser afetado, a preocupação se volta para a saúde mental das crianças, já que ainda não há uma definição sobre o retorno das atividades presenciais.

“No início, a maior dificuldade foi a aprendizagem. Tive que me dividir entre as minhas atividades e passar esse tempo de aula com ela. A pressão aumentou muito para as duas”, conta Marta Rocha, mãe de Rafaela, 9 anos.

Em Cuiabá, as escolas foram fechadas em março de 2020. Desde então, as atividades migraram para aplicativos, programas online ou aulas gravadas. Sem contato direto com professores e colegas, depois de um tempo a preocupação da mãe passou a ser a saúde mental da filha.

“Como ela é filha única, não houve mais contato com outra criança da idade dela. Passamos a conviver somente dentro de casa. Essa situação criou ansiedade, choro”, lembra.

Saúde mental das crianças

A preocupação de Marta é compreensível. Alterações no sono, agressividade, desânimo, acessos de raiva, ansiedade e depressão são os principais sintomas observados em crianças e adolescentes durante o confinamento.

De acordo com uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), esses sintomas estão associados às consequências do confinamento, sendo motivado também pela qualidade da saúde mental dos pais, pela mudança nos hábitos e rotinas familiares.

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Na China, um estudo publicado na revista Jama Pediatrics usou a resposta de 1.784 crianças para avaliar sinais de depressão e ansiedade. Quase um em cada quatro estudantes relatou sinais compatíveis com o diagnóstico de depressão e um em cada cinco de ansiedade.

No Brasil, o estudo da USP analisou 4.504 respostas. Os dados preliminares indicam que as crianças e adolescentes têm passado muito tempo navegando na internet (metade usa eletrônicos por mais de oito horas por dia, descontando as aulas), dormindo menos e mais sedentária (43% não faziam atividade física havia duas semanas).

Pais e estudantes organizaram carreata para exigir a reabertura das escolas em Cuiabá (Foto: Reprodução)

Tem motivo para ainda estar fechada?

Em Mato Grosso – e em grande parte do Brasil – as escolas permanecem fechadas. A retomada segue indefinida. Em Cuiabá, a decisão é da prefeitura, que adia uma definição. O órgão é pressionado tanto por pais quanto pelo setor privado, que já em julho do ano passado apontava perdas de 40%.

A expectativa é de que as atividades sejam retomadas em março, no sistema híbrido, em que os alunos e professores se revezam entre aulas presenciais e virtuais. A prefeitura, contudo, ainda não bateu o martelo.

Fechamento sem sentido

Para o médico e escritor Alessandro Loiola, a manutenção do fechamento das escolas não faz sentido, tendo em vista que outras atividades e profissões continuam a operar.

“A taxa de morte em pessoas por covid-19 em pessoas com menos de 19 anos de idade é 0,0007%. Simplesmente não faz sentido fechar escola. Eles dizem que na escola, as crianças vão acabar levando o vírus para casa”, afirmou o médico, em entrevista à Rádio Jovem Pan.

Na semana passada, pais realizaram uma carreata cobrando a reabertura das escolas em Cuiabá. Uma nova manifestação está marcada para o próximo domingo (24).

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