Erradicação do analfabetismo: projeto de MT pode ser superficial

Seduc quer recuperar 200 mil pessoas em cinco anos, mas doutor em Educação diz que número e tempo necessário podem ser bem maiores

Imagem Ilustrativa (Foto: Reprodução)

A situação precária da educação em Mato Grosso é anterior à paralisação das aulas presenciais por conta da pandemia. Segundo a última Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), quase 60% dos alunos até o 3º ano do ensino fundamental foram avaliados com alfabetização insatisfatória

Para tentar resolver esse e outros problemas relacionados ao tema, a Secretaria de Estado de Educação lançou dois programas. Projetos, no entanto, que já são criticados por especialistas: podem ter sido mau dimensionados.

Um deles, com prazo de cinco anos, pretende erradicar o analfabetismo entre jovens e adultos. 

A estimativa da Seduc é que quase 6% da população de Mato Grosso tenha formação educacional em nível insatisfatório. Seriam cerca de 210 mil habitantes, em idades diferentes e sempre acima dos 15 anos. 

A maior parte deles (110 mil pessoas), no entanto, tem idade entre 30 e 60 anos.  

A intenção da secretaria é alfabetizar esse grupo, de acordo com o padrão da Unesco (Organização das Nações Unidas Para Educação, Ciência e Cultura), em até cinco anos. Para isso, devem ser investidos aproximadamente R$ 30 milhões. 

Mais do que o contabilizado

Porém, o número de analfabetos pode ser bem maior e o tempo para ensiná-los pode, pelo menos, o dobro do estimado pelo governo. Quem afirma é o doutor em Educação pela Universidade São Paulo (USP), Silas Monteiro.

E a justificativa para a afirmação está na piora que a pandemia trouxe para a situação. 

É que, além de lidar com quem já era analfabeto, Mato Grosso e os demais Estados brasileiros terão que lidar com um grupo de alunos com nível de aprendizagem insatisfatório por conta das aulas remotas. Um número de pessoas que ainda não foi dimensionado. 

São alunos que já tinham uma formação precária, antes da pandemia, e agora estão mais  para trás ainda ou simplesmente desistiram da vida escolar. 

“A pandemia não criou o analfabetismo, ela escancarou uma situação que já existia e também piorou o quadro, por causa da falta de condições para dar aula no sistema remoto e pelo desânimo dos alunos. Ou seja, nós temos um grupo de alunos que estão em situação de analfabetismo que terão que entrar na avaliação das secretarias de educação, e um bom número desses alunos sequer vão retorno para a sala de aula”, diz o professor. 

Níveis de analfabetismo

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), por exemplo, apontou no começo de 2020 que os números – que mostram baixo aproveitamento em Mato Grosso – estão há alguns anos estagnados. 

Segundo Monteiro, a população de analfabetos em Mato Grosso varia de tamanho conforme a consideração do que seja analfabetismo. O grupo mais amplo, incluindo as pessoas que conseguem escrever e ler, mas sem capacidade de interpretação, abarcaria os alunos da pandemia. 

“Eu acredito que daqui 10 anos ainda vamos ouvir falar dos efeitos da pandemia na educação. E não será só uma questão de ensino básico, fundamental, porque as universidades vão receber os alunos de hoje. Ou seja, a situação é extensa”, pontuou. 

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