Entregador de aplicativo: motociclistas trabalham cerca de 18h diárias

Exaustão ao limite para garantir a sobrevivência

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Os entregadores de aplicativo rodam todas as semanas cerca de 1 mil quilômetros, entre corredores, sinais, buzinas, xingamentos e muitas vezes chuva. Eles chegam a fazer uma rotina de 18h diárias para conseguir se manter em Cuiabá e Várzea Grande.

As empresas não informam o número exato de inscritos nas plataformas, porém quem anda na cidade percebe que o número de motociclistas carregando a mochila da Ubereats, Ifood ou James aumentou muito nos últimos meses.

Só é olhar para o lado quando o semáforo fecha e logo eles passam, procurando um lugar mais a frente.

Os pontos de encontro dos trabalhadores são conhecidos. As praças 8 de abril, Santos Drumont e Clóvis Cardoso. No final do horário de entrega do almoço, por volta das 15h, parte deles tentam descansar deitando embaixo das árvores, com sorte, é possível se sentir um pouco de vento.

Entre eles, várias histórias sobre como iniciaram o trabalho e uma única convicção: a atividade é bico e não carreira.

Luiz Santos conta que começou o trabalho nos aplicativos devido a falta de oportunidade no mercado formal.

“Eles querem currículo e cursos e quando fazemos, exigem experiência. Nunca tem alguém disposto a dar oportunidade para quem quer começar”.

Enquanto não tem uma oportunidade, Luiz Santos continua como entregador (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Nessa busca por uma colocação, ele já foi gari, ajudante de farmácia e fez todo tipo de emprego braçal que aparecia. Também tentou trabalhar no ramo de instalação de placas de energia solar. Chegou a fazer curso, mas a falta de experiência o ancorou.

Durante as atividades, Santos juntou dinheiro, comprou uma moto e fez dela o ganha pão. Já atuou como terceirizado em pizzarias e restaurantes e, agora, atende os aplicativos.

“Hoje, eu acho que prefiro trabalhar assim. Em uma empresa, eles pagam menos de R$ 1,2 mil e ainda temos que ouvir todo tipo de abuso porque somos empregados. A única coisa ruim é que não somos nada nem para os aplicativos e nem para os restaurantes. Aqui, cada um faz o seu”.

Sem banheiro ou água

O motociclistas relatam que não são autorizados a usar o banheiro ou beber água nos restaurantes e mesmo quando o dono permite, não se sentem confortáveis porque observam os olhares contrariados dos clientes.

Então, a solução é buscar os postos de gasolina ou esperar que algum estabelecimento tenha um espaço para funcionários e permita que eles usem também.

Conforme as regras dos aplicativos, eles devem apenas se dirigir ao caixa, pegar o pedido e sair para a entrega.

Empatia que ajuda

Os motoqueiros reclamam muito da falta de educação dos motoristas de carro no trânsito. Fechadas inesperadas, sinais desconsiderados e até mesmo acidentes sem prestar socorro.

A rotina não é fácil e todos têm um história, cujo narração tem uma cicatriz como prova.

Motociclistas precisam fica atentos ao retrovisor para não sofrerem acidentes (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Eles afirmam que existe imprudência das duas partes, mas nos casos dos entregadores, muitas vezes são motivadas pelo excesso de trabalho sem descanso. Com as horas consecutivas de pilotagem, os reflexos ficam mais lentos e nem todos respeitam a hora de parar.

Os entregadores até mantém um grupo de whatsapp para ajudar colegas que ficam parados por conta de acidente, falta de combustível ou por não terem como pagar o conserto de um pneu.

“Sempre tem alguém que ajuda um companheiro na emergência seja financeira ou em caso de acidente”, explica Inei de Paula

Ele conta que poucos conseguem juntar algum dinheiro porque têm família e as despesas diárias.

Sacrifício temporário

Daniel Trindade da Silva já fez 20 horas de trabalho em um único dia e disse que vai fazer mais vezes. O objetivo dele é atuar com entregas por no máximo dois anos e depois seguir uma carreira de empreendedor.

Ele quer montar uma empresa e também atuar no ramo financeiro.

Apesar de ser franzino, ele diz que se alimenta bem.Todos os dias reserva o horário das 11h às 11h20 para almoçar.

O restante do tempo divide entre os 3 aplicativos que tem cadastrado. Alguns deles permite que você fique conectado ao outro sem problemas. Porém outros, exigem a exclusividade.

Daniel trindade tem o sonho de empreender e quer juntar dinheiro com as entregas (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

E, não se pode quebrar a regra para não tomar ganchos, já que os fiscais são os atendentes dos restaurantes.

No entanto, existem algumas estratégias que facilitam. Pelo horário e pela região que se quer atender, sempre tem uma plataforma prioritária.

Como começar

Basta baixar os aplicativos e preencher as informações dos protocolos. Não pode esquecer de ter carteira de motorista como habilitado a desenvolver atividade remunerada. A alteração custa certa de R$ 400 e é feita no Departamento Estadual de Trânsito.

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