Entidade ligada à ONU oferece R$ 235 mil para desenvolver Centro Histórico

Ministério Público deu prazo de 30 dias para o Iphan listar casarões em deterioração na região

Casa de Bem-Bem, após desmoronamento, em 2018 (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Cerca de R$ 235 mil (U$ 63 mil) oriundos da Partnership for Action on Green Economy (Page), em português Parceria para Ação sobre Economia Verde, devem ser disponibilizados para compor um plano de gestão voltado à reestruturação do Centro Histórico de Cuiabá. A região tem sido marcada por imbróglios relacionados ao desmoronamento de casarões tombados como patrimônio cultural da Capital, que completa 300 anos em abril.

A medida foi proposta pelo arquiteto e ex-secretário de Estado Eduardo Chiletto, representante da Academia de Arquitetura e Urbanismo do Estado de Mato Grosso (AAU/MT), durante reunião com representantes da Prefeitura de Cuiabá e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O encontro ocorreu na terça-feira (12), no Ministério Público de Mato Grosso (MPE).

Promotor do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente Urbanístico, Carlos Eduardo Silva presidiu a reunião e solicitou que os presentes, principalmente o Iphan, providenciassem um levantamento de casarões em deterioração. O prazo de entrega do documento é de 30 dias.

De acordo com a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo do Município, o plano de gestão debatido na ocasião englobaria uma série de estratégias que beneficiariam, não só o campo arquitetônico do centro histórico, mas a parte social e econômica da região. Traria também consultorias específicas para os projetos.

Conforme Eduardo Chiletto, que também é representante nacional da Page, o incentivo deve ser coordenado pela AAU/MT, juntamente com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

“Já estamos em fase de desenvolvimento e temos esse valor para executarmos as ações. O recurso vai ser repassado para UFMT e gerenciado via Uniselva, que deve contratar uma equipe de professores para que a gente possa iniciar o projeto de gestão com todos os setores: município, CDL, moradores e todos aqueles que frequentam a região”, afirma.

Parceria para Ação sobre Economia Verde

A Parceria para Ação sobre Economia Verde é uma entidade global que desenvolve políticas estratégicas para o desenvolvimento econômico sustentável em 20 países até 2020. A ideia é empregar conhecimento e o amplo poder de convocação de cinco agências da ONU – Organização Internacional do Trabalho (OIT), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), entre outras.

Segundo Chiletto, a ação no Centro Histórico de Cuiabá não é a primeira idealizada pela entidade em Mato Grosso. “Nós lançamos a parceria da Page com o Estado de Mato Grosso em 2016. Desde então, já são nove projetos de arquitetura sustentável, energia renovável, além de planos diretores participativos, sendo desenvolvidos com um recurso de R$ 13 milhões e parcerias com a iniciativa pública e privada”, complementa.

Desabamento do casarão onde funcionava a Gráfica e Papelaria Pêpe (Foto: Reprodução)

Casarões deteriorados

Paralisação de obras, protestos e desmoronamentos de imóveis marcam os últimos cinco anos de importantes patrimônios históricos de Cuiabá, como a Casa de Bem-Bem. Em 2012, foi feito o anúncio de que o espaço abrigaria um novo Centro Cultural da cidade e a escola de música do Instituto Ciranda, mas o imbróglio permanece e casa segue abandonada.

Na reunião de terça-feira (12), o secretário de Cultura, Esporte e Turismo do Município, Francisco Vuolo, chegou a citar a demanda. “Assumimos a recuperação da Casa de Bem Bem e vamos recuperar as partes danificadas, para promovermos a restauração do imóvel, com recursos próprios. Também restauramos o prédio histórico que funciona o Misc, entre outras intervenções”, disse.

Na manhã do dia 29 de janeiro, parte do muro do casarão onde funcionava a Gráfica e Papelaria Pêpe, construído no século 19 e tombado como patrimônio histórico desde 1993, desabou. Vuolo e representantes no Iphan se reuniram anteriormente com o promotor de Justiça Carlos Eduardo Silva, que abriu um inquérito para apurar as responsabilidades pelo desabamento.

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