Enfim, o fim do pesadelo

Pedro Taques entrou na política como um gigante, um mato-grossense que poderia levar o estado a uma representação inédita no plano nacional. Sai como um pigmeu

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O resultado das urnas deixou uma sensação de terra arrasada. Inimaginável para uns, mas sonhável pela maioria, Mato Grosso liquidou sua eleição já no primeiro turno, com vitória incontestável e números acima dos mais otimistas institutos de pesquisa. Resta agora sonhar que as promessas feitas por Mauro Mendes sejam cumpridas e que os 58,69% de votos obtidos sejam transformados em transformação de verdade, devolvendo o orgulho aos que aqui moram.

Se houvesse uma cartilha sobre como perder uma eleição em 50 lições, ainda assim Pedro Taques não poderia aplica-la: ele necessitaria de ao menos 100 lições, tantos foram os erros. Foi arrogante, desleal, mentiu, não cumpriu as principais promessas e ainda tentou atribuir o fracasso incontestável de seu governo ao governo anterior. Abandonou os amigos, desrespeitou os poderes constituídos do Estado, não teve o menor respeito com o funcionalismo público, usou e abusou de uma Assembleia Legislativa subserviente, servil e bajuladora e que teve como resposta uma renovação de 58% de seus parlamentares. Dos que comandaram o servilismo nos últimos 4 anos, sobreviveram apenas Botelho, Maluf e Nininho, em cujas cabeças paira a ameaça da espada de Dâmocles, à medida que avançarem todos os processos em que são investigados ou réus.

[featured_paragraph]Pedro Taques conseguiu o inédito: perder a reeleição para governador em Mato Grosso e sair desacreditado, pela porta dos fundos, e sem qualquer possibilidade de tornar-se a grande liderança que Mato Grosso tanto aspirava. Sufragado majoritariamente em 2014, enchendo os seus conterrâneos de esperança de ter um nome forte para o Brasil em 2018. Foi varrido – sim, varrido – pela onda de moralização que o pleito do último dia 7 infligiu ao país. Entrou como um gigante. Sai como um pigmeu.[/featured_paragraph]

Wellington Fagundes teve, além da derrota eleitoral, uma enorme derrota política. Foi fraco, não conseguiu em instante algum dar confiança aos seus seguidores. Cercou-se de luas-pretas trazidos de fora que não tinham a menor noção do que era a política local. Trancado em uma sala, baseado em análises estatísticas fora da realidade, Wellington mostrou, mais uma vez, que é um político sem grupo e sem amigos. Montou um grande palanque que atendia apenas aos interesses de seus partícipes e não elegeu ninguém, nem para a Assembleia, nem para o Congresso. Ninguém que possa chamar de seu. Perdeu o comando de uma oposição que deveria ser sua para um grupo de dissidentes que soube se aproveitar do momento. Resta-lhe, ainda, 4 anos de um mandato de senador que, hoje, parece ser muito difícil de ser reconquistado.

Para o senado, Mato Grosso mostrou, nas urnas como em todo o Brasil, a força de Bolsonaro. Mais uma semana e a juíza Selma Arruda seria, incontestavelmente, a mais votada e que a tão propalada liderança de Jayme Campos já não é o que se imaginava, com uma possibilidade real de derrota para Carlos Fávaro, “mordendo” os seus calcanhares no sprint final. Selma terá um longo caminho a percorrer para livrar-se das acusações de que foi alvo, até ser diplomada para exercer o mandato.

Blairo Maggi foi outro grande derrotado. Omitiu-se. Acreditou que apenas alguns vídeos pedindo voto para seu compadre e afilhado, Adilton Sachetti, seriam suficientes para dar-lhe a vaga que hoje ocupa no Senado. Não bastou a sua posição de Ministro da Agricultura exemplar. A sua omissão em participar, ativamente, do processo eleitoral, foi a principal causa, pela divisão dos atores do agronegócio, em deixar Mato Grosso fora do segmento em que Mato Grosso mais necessita estar presente.

Nilson Leitão foi, talvez, o maior derrotado. A soberba que lhe tomou conta, cegou-o para a realidade. Não bastou ter sido um parlamentar de exponencial presença nos dois mandato de deputado federal, ocupando um espaço político que quase nenhum outro conseguiu; não enxergou a derrota que estava clara à sua frente. A nefasta aliança com Pedro Taques que, inconformado por não ser a principal estrela do partido no estado e sem fazer qualquer gesto para o crescimento do PSDB, solapou-o de todas as formas desde o início do processo eleitoral. Acabou deixado sozinho na estrada, tentando ser, desesperadamente, o segundo voto de todas as outras coligações. Resta-lhe, agora, um recomeço difícil em um partido que quase foi banido do mapa eleitoral.

No plano nacional, apesar de os institutos de pesquisa errarem grosseiramente mais uma vez, não há que duvidar que o povo brasileiro não aguenta mais. A estrondosa votação de Jair Bolsonaro com 46% dos votos válidos no primeiro turno mostrou isso claramente. Pesquisa de ontem do Datafolha já projeta uma acachapante vitória final, com 58% de votos válidos.

O recado duro das urnas não foi resultado de uma guerra do “ele sim” contra o “ele não”. Foi a demonstração cabal de que o brasileiro não suporta mais a corrupção, o aparelhamento do Estado, a negação da família, a ideologia de gênero, a falta de segurança, e que ainda venham os lobos com pele de cordeiro falar em democracia, desenvolvimento, criação de empregos… Tiveram quase 16 anos para construir um Brasil de esperanças e só nos entregaram uma terra arrasada.

O brasileiro não quer nada demais. Quer apenas alguém que, no exercício do poder, possa criar condições de igualdade de oportunidades, de respeito ao dinheiro público, de segurança para nossos filhos. Bolsonaro pode, sim, representar essa mudança. É um homem comum que não prega nada do que não tenha sido sua vida política pregressa. Não tem a corrupção impregnada dentro de si e uma vontade enorme de ver o Brasil no lugar de destaque que merece. Não se aconselhará com corruptos, condenados que, detrás das grades, ainda sonham em não largar o osso e continuar transformando nosso país em uma Venezuela.

Dê-lhes carinho e atenção, Jair, porque é isso, tão somente isso, de que nosso povo necessita.

Advogado, analista político e ex-parlamentar estadual e federal

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