Empresários tentam driblar crise e criam alternativas para não fechar as portas

Reinventar o negócio tem sido a palavra de ordem, mas o sucesso aparente nesse curto espaço de tempo não tira a preocupação deles

(Foto: Ednilson Aguiar / O LIVRE)

Os comércios estão fechados e as ruas vazias. Mas isso não significa que eles não estejam trabalhando. O coronavírus impactou a rotina da população e trouxe incerteza para pequenos comerciantes. Mas parte deles encontrou em uma “volta ao passado” a alternativa: o comércio de porta em porta.

Juliana Rocha Moraes optou por não fechar a loja. Na verdade, ela só trocou de local. Transformou a sala da casa em um home office e, de lá, tem preparado os produtos para a entrega.

“Não quis demitir dois funcionários muito queridos, por isso, decidi trabalhar e trabalhar”.

Na terça-feira (24), o primeiro dia de entregas tirou o sossego da empresária, que mal conseguiu almoçar em função do número de pedidos.

Quem faz as entregas é um moto boy – que, aliás, foi – contratado recentemente para a função. Segundo Juliana, ele foi equipado com máscara, álcool gel e luvas.

(Foto: Divulgação)

A marca de Juliana – que vende anéis, brincos, colares e outros complementos – tem cinco anos e filiais em 21 municípios de Mato Grosso. O marketing nas redes sociais é o que mantém o contato com as clientes.

Preocupação com o futuro

De acordo com dados do Sebrae, as micro e pequenas empresas somam 316.275 empreendimentos em Mato Grosso. E a maior parte dos empregos gerados no Estado estão nesses pequenos negócios.

Juntos, eles representam 66% do total de empregos formais. O número corresponde a 60% dos salários pagos.

Com a atuação limitada por conta das medidas de prevenção à covid-19, muitos temem o futuro. Aluguel e fornecedores são só alguns dos gastos que parte deles não sabe como vai quitar.

Caroliny Lucidos conhece bem esse sentimento. Ela e a mãe são donas de uma loja que vende produtos naturais. O espaço físico, que fica no bairro CPA 2, em Cuiabá, continua funcionando, mas com horário reduzido: das 10h às 16h.

(Foto: Divulgação)

Apesar do momento, a demanda da loja aumentou. O medo da eminente crise, porém, bate na porta.

“Como somos uma empresa pequena, não temos um capital de reserva que aguentaria custear todas essas despesas por dois, três meses sem vender nada”, ela pontua.

Sem clientes na porta, a empresária passou a ofertar o sistema de entrega. Mas isso a fez se deparar com outro problema: encontrar entregadores.

“Como não temos entregador exclusivo, eu mesma tenho feito as entregas, se for perto. Ou tento a sorte com alguns entregadores que tenho contato, mas nem sempre dá, porque eles também estão parados [devido à recomendação de isolamento social]”, relata.

Reinventar o negócio

(Foto: Divulgação)

Reinventar é a palavra da vez para Herbert Moser, dono da Ecoprime. Com 10 anos no mercado, ele vende kits de higienização – com produtos químicos, papel e álcool gel, por exemplo.

Os principais clientes dele são bares e restaurantes. O setor, contudo, teve que fechar as portas. Consequentemente, Herbert parou de vender.

Para driblar o momento, o empresário fracionou os produtos em kits menores e passou a oferece-los para o público em geral, com entrega em domicílio. A aceitação, segundo ele, tem sido boa.

“Não dá para parar. Estamos indo atrás dos comércios que estão abertos como supermercados, açougues, farmácias. É hora de se reinventar”, afirma.

Iniciativas de solidariedade

Juntar esforços em tempo difíceis é a visão que o publicitário Mario Bilégo tem. Ele é dono da Kings Propaganda, uma agência de publicidade de Sinop (503 km de Cuiabá), que também se encaixa na descrição de pequena empresa.

Lá, ele se propôs a criar material de divulgação para, pelo menos, outros 10 pequenos negócios gratuitamente.

“Entendemos que o mercado desaquecido é ruim para todo mundo. Queremos fazer a nossa parte, porque é um momento de união. Fazendo a nossa parte, criamos um movimento que vira uma corrente do bem”, ressalta.

(Foto: Arquivo Pessoal)

A equipe é pequena e trabalha no sistema de home office, priorizando o isolamento social para evitar a disseminação do coronavírus.

Os atendimentos gratuitos já começaram e a demanda, surpreendeu. São salões de beleza, lojas de confecção, profissionais liberais.

“Já estamos pensando em formas de expandir, porque muita gente veio procurar”.

Comprar dos pequenos negócios

Na internet, outras iniciativas espalham solidariedade. O perfil no Instagram Céu de Mato Grosso, que compartilha fotos de locais turísticos do Estado, é exemplo de uma delas.

Em uma publicação, a página sugere que o público indique pequenas e médias empresas onde outras pessoas podem comprar produtos e serviços. A ideia é incentivar o consumo nesses locais para que os negócios não fechem com a crise.

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O Sebrae Mato Grosso também incentiva a população a prestigiar os pequenos negócios De acordo com a instituição, essa é a saída mais rápida para os municípios superarem a crise.

“A volta à normalidade depende de vários fatores externos, mas internamente, cada localidade tem o seu grande poder para buscar formas de se rearranjar, tem sua cultura e criatividade, força, fé e perseverança, que podem ser colocadas a serviço do coletivo, das demandas mais urgentes, das situações mais graves e que merecem maior atenção”, diz a instituição em carta ao público.

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