Empresário nega fraude, mas admite falhas em sistema de atendimento do Ganha Tempo

Atendimentos relâmpagos e uso irregular de CPFs teriam ocorrido por descontrole na condução de serviços nos órgãos

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O presidente do Consórcio Rio Verde, Osmar Linare Marques, responsável pela administração de sete unidades do Ganha Tempo em Mato Grosso, negou fraudes no atendimento do órgão acusado de gerar um desvio milionário aos cofres públicos do Estado. 

Ele diz que o consórcio já investiu R$ 26 milhões no Ganha Tempo em implantação e equipamento, em janeiro de 2018, e a Justiça encontrou R$ 300 mil em contas do grupo.

“Cadê a fraude milionária? Eu investi R$ 26 milhões no Ganha Tempo e tinha R$ 300 mil na conta quando a Polícia Civil deflagrou a operação [que afastou o consórcio da administração do órgão], em agosto deste ano”. 

“Da nossa parte jamais houve fraude alguma. Erros, podem ter havido. Como em qualquer atividade humana. Mas roubo, jamais”, acrescentou.

O Rio Verde é investigado por atendimentos relâmpagos, que duraram apenas um segundo, e uso de CPF (Cadastro de Pessoa Física) inexistente ou de pessoas já mortas para comprovar esses atendimentos. A CGE aponta que as supostas irregularidades teriam causado prejuízo acima de R$ 13 milhões. 

A Controladoria identificou 534 atendimentos para o CPF 000.000.000-00; 531 atendimentos para um mesmo cadastro de pessoas que teriam comparecido apenas três vezes no Ganha Tempo e outros para a mesma pessoa, em cidades distantes, no intervalo de alguns minutos.  

O consórcio diz que de R$ 6 milhões apontados como pagamento irregular pela CGE, R$ 4 milhões foram efetivamente pagos.

Banco de dados

Osmar Linare Marques admitiu que os CPFs eram coletados de um banco de dados aleatoriamente, processo ao qual a administração não tinha conhecimento.  

“O uso de CPF não está previsto em contrato. O governo pediu em julho de 2019 que a informação passasse a ser usada, e conseguimos implantar em setembro, mas os atendentes não passaram por treinamento para incluir esse dado. Depois descobrimos que os CPFs eram usados aletoriamente de um banco de dados”, pontuou. 

Quanto ao tempo de atendimento, o empresário afirmou que houve falha na condução do serviço pelos atendentes. Segundo ele, não havia o hábito de registrar eletronicamente o momento do início do atendimento. Ele só passava a ser iniciado quando era solicitado para que fosse feita a avaliação do atendente. 

“E isso é rápido, é só pra fazer uma avaliação e pronto, não era o atendimento todo. Nós gastávamos em média sete minutos e 24 segundos por atendimento. Quando os gerentes identificaram que os atendimentos não eram iniciados no momento que deveria, eles chamaram os atendentes e os fizeram assinar um documento se comprometendo a corrigir o erro. Eu tenho esses documentos de 200 funcionários”, disse. 

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Ele disse ainda que outros atendimentos rápidos também explicam o tempo relâmpago, no tempo máximo de 30 segundos, como a retirada de carteira do RG e documentos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT). 

Questionado se as falhas não refletiam no faturamento do consórcio, que recebia por atendimento e celeridade, o empresário afirmou que o pagamento era realizado com base na emissão de senhas.

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