Enquanto capitais como São Paulo e Florianópolis vivem um boom na venda de imóveis de alto padrão – um mercado impulsionado pela pandemia e a alta do dólar –, em Cuiabá, são as classes C e D que movimentam o mercado imobiliário.
A afirmação é do presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (Creci-MT), Benedito Odário.
Segundo ele, em Mato Grosso, o efeito que a pandemia causou na venda de imóveis de luxo é mais visto em cidades do interior. As principais são aquelas localizadas onde o agronegócio tem mais força e, consequentemente, a renda per capita é maior.
A explicação para isso, segundo reportagem do Estadão, está na alta do dólar (os imóveis estão mais baratos na moeda americana, dizem especialistas) e na própria pandemia. Impedidos de viajar e ter mais momentos de lazer, os mais ricos estão deixando apartamentos em busca de casas ou, pelo menos, coberturas.
Em São Paulo, por exemplo, a venda de imóveis avaliados entre R$ 900 mil e R$ 1,5 milhão cresceu 32% entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021.
E o aluguel?
Paralelo a isso, Benedito Odário afirma que o mercado de aluguel tem sofrido um impacto negativo. Há pelo menos nove meses, tem aumentado o número de imóveis em Mato Grosso – tanto residenciais quanto comerciais – que estão parados.
Segundo o presidente, o fato de terem aumentado as vendas de imóveis para as classes C e D não parece ser uma explicação lógica. Ele afirma que sempre houve mercado suficiente para quem tem imóveis para aluguel, mesmo com as vendas aquecidas.
O vilão, portanto, ele avalia que seja a pandemia. E, nesse cenário, um projeto de lei em trâmite na Câmara Federal pode tornar tudo ainda pior, ele acredita.
A justificativa do projeto de lei é um aumento, em muitas partes do país, acima da inflação, o que estaria colocando pessoas afetadas pela crise econômica causada pela pandemia em situação ainda pior.
Benedito Odário sustenta, no entanto, que o projeto pode travar negociações individuais entre locadores e locatários. Em Cuiabá, por exemplo, ele afirma que muitos donos de imóveis preferiram sequer reajustar os preços para manter seus inquilinos. O temor, em geral, é justamente deixar o imóvel parado, com o mercado em baixa.




