Em busca de um RG, filho desaparecido há cinco anos reencontra a mãe

Rapaz mudo e que não sabe linguagem de sinais é natural de Manaus e estava desaparecido há cinco anos

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Alex Faria Moça, de 34 anos, é um rosto já conhecido dos alunos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) por ser ativo nas lutas e causas estudantis e sociais. Mas a maioria das pessoas que cruzam seu caminho não conhecem sua história. Há 5 anos, dona Dagmar Gomes Farias buscava pelo filho desaparecido, sem conseguir nenhum tipo de notícia sobre seu paradeiro. Ela já tinha desistido, quando o reencontrou na tarde desta segunda-feira (15).

Em janeiro deste ano, Alex, acompanhado de seu amigo Marcelo, procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso na tentativa de conseguir a segunda via do seu Registro Geral (RG). Informou que se chamava André Gomes Ferreira e por esse motivo, somado ao fato dele ser mudo e deficiente mental, no início, foi muito difícil para a assessoria atendê-lo.

Eluidil Fontes, uma das assistentes sociais que ajudou Alex nesta jornada, conta que ele não conhece a língua de sinais e não é alfabetizado, o que os levou a se comunicarem com gestos.

“Diante da situação, sem que conseguíssemos nos comunicar direito, decidimos entrar em contato com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), da Polícia Civil. Eles nos informaram, no dia 25 de janeiro, que com o nome de André G. Ferreira existia uma identidade em Mato Grosso, mas que, após o confronto das digitais, verificaram que não era do rapaz que auxiliávamos”, explica a assistente.

Alex insistia e voltava todos os dias ao órgão pedindo por seus documentos. A equipe multidisciplinar da Defensoria, então, decidiu pedir auxílio à Delegacia de Homicídio e Pessoas Desaparecidas (DHPP) para divulgação da imagem de Alex, na esperança de conseguir informações sobre os familiares do rapaz.

Foi assim que, no dia 18 de fevereiro, o Núcleo de Pessoas Desaparecidas de Cuiabá recebeu informações da Defensoria Pública do Amazonas, relatando que André, na verdade, se chamava Alex e que ele fazia parte do banco de dados de pessoas desaparecidas da Polícia Civil daquele Estado.

A Defensoria do Amazonas atende a mãe de Alex e conseguiu as passagens para que Dagmar viesse a Cuiabá buscar o filho depois de tantos anos de procura. A Defensoria de Mato Grosso conseguiu auxílio da secretaria de Estado de Assistência Social (Setas) para acolher a mãe de Alex até quarta-feira (17), quando ambos embarcam de volta para Manaus.

Para conseguir a certidão de nascimento de Alex, a assistente jurídica Jezibel Magalhães, que trabalha com a coordenadora do Balcão da Cidadania, e a defensora pública Danielle Dorilêo enviaram ofícios para os 13 cartórios de Manaus. Os documentos passaram a ser requeridos lá depois que descobriram que ele havia nascido naquela Capital.

A certidão, enfim, foi entregue em mãos à dona Dagmar, assim que seu filho, muito ansioso com a espera, a recebeu bastante emocionado no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande. Marcelo, amigo que acompanhou e ajudou Alex por muito tempo, conta que ele já passou por diversas cidades e a única coisa que deseja agora é ir embora com sua mãe para casa.

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

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