Em 2020, mato-grossenses queimaram área equivalente a dois Estados brasileiros

Ano registrou o pior cenário de ocorrência de incêndios florestais desde 2007, aponta estudo

Imagem feita pelo governo de Mato Grosso no dia 12 de setembro (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)

Mato Grosso registrou em 2020 o pior cenário em incêndios florestais dos últimos anos. De janeiro até o dia 16 de novembro, cerca de 8,5 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo. A área é maior que Sergipe e Rio Grande do Norte juntos. Desse total, quase metade foram áreas de floresta ou recentemente desmatadas.

Mesmo com o período de proibição mais prolongado – uma tentativa de conter a fumaça, que afeta o sistema respiratório causando sintomas semelhantes ao da covid-19 -, o ano registrou o pior cenário de ocorrência de incêndios florestais desde 2007.

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As informações são do Instituto Centro de Vida (ICV) e foram computadas com base em dados da Nasa.

Segundo a instituição, os 8,5 milhões de hectares afetados por incêndios correspondem a  26 vezes a área ocupada por Cuiabá, capital do Estado, ou quase 10% do território total de Mato Grosso.

Cerca de 38% dessas ocorrências se concentraram na Amazônia, seguida do Cerrado, onde houve mais de 3,1 milhões de hectares queimados (36% do total). As áreas com incêndio no Pantanal, por sua vez, representaram 25% do total.

Os meses mais críticos, ou seja, com maior área atingida por fogo, variaram entre os biomas. Na Amazônia, foi entre agosto e outubro. No Cerrado e Pantanal, entre julho e setembro.

Pantanal em colapso

Em 2020, o pior cenário foi vivido pelo Pantanal. Apesar da Amazônia ainda liderar a lista de área atingida pelo fogo, as áreas pantaneiras foram proporcionalmente mais afetadas, com 2,15 milhões de hectares, o equivalente a 40% do bioma na porção mato-grossense.

De toda a área queimada no Estado, cerca de 30% incidiu apenas nos municípios pantaneiros de Poconé, Barão de Melgaço e Cáceres.

A situação de calamidade no bioma desencadeou uma crise para a biodiversidade e as populações tradicionais do Pantanal, que tiveram suas roças e florestas destruídas.

“Uma ocorrência sem precedentes cujos efeitos ainda não sabemos por completo”,
avalia Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV.

(Com Assessoria)

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