Eleição na Casa Barão: “a reinvenção da AML é um processo irreversível”, defende Chapa 1

Com notável produção literária, grupo defende que a AML se torne um espaço cultural aberto à comunidade

Imortais muito mais próximos dos estudantes e da comunidade. Esta é apenas uma das propostas da Chapa 1, “Viva a Casa Barão”, para a gestão 2019-2021 da Academia Mato-grossense de Letras, que reúne alguns dos nomes mais simbólicos que fortalecem a musculatura da Literatura local, e que também dialogam transversalmente com a cultura regional. A eleição ocorre no sábado (21).

A ideia é levar a Academia Mato-grossense de Letras para fora dos seus domínios – e também fazer o movimento contrário, trazendo o novo para dentro.

E não é sonhar demais querer se aproximar das comunidades acadêmicas, afinal a chapa deve trabalhar também esse lado. A candidata à presidência, que poderá estar à frente desse novo momento (para ela, urgente), é a professora aposentada do IFMT e escritora Maria Cristina de Aguiar Campos. Ao seu lado, como vice-presidente, está Olga Maria Castrillon Mendes (professora da Unemat) e Fernando Tadeu de Miranda Borges (Pró-reitor de Cultura da UFMT), como 2º vice-presidente.

Nos últimos anos, um grupo de escritores já vem visitando municípios do interior para incentivar a prática da leitura e a valorização da literatura regional. Ela conta que já circularam por várias cidades com o apoio da Unemat e da UFMT.

“O cenário da literatura é excelente no momento e temos que aproveitar. Nunca se publicou tanto por aqui. Além disso, são muitos os TCCs, dissertações e teses sobre obras de autores mato-grossenses nas universidades, fora a sua inserção no vestibular da Unemat e em algumas escolas, públicas e privadas, por exemplo. Estamos dando um grande passo e temos a intenção clara de realizar essa aproximação.”

Para continuar caminhando, a chapa tem propostas muito definidas, com vistas a democratizar o acesso ao acervo e ao espaço da Casa Barão, que sedia os encontros da AML e que também abriga o Instituto Histórico e Geográfico.

Cristina Campos, à ocasião de sua posse, em 2015

Uma das primeiras iniciativas seria a organização administrativa da AML. E assim, fazendo jus ao nome da chapa, viabilizar parcerias e recursos para manter a Casa Barão [Viva] bastante frequentada, a ponto de torná-la um ponto de cultura. “Que é a sua vocação natural”, defende Cristina.

E que também seja uma instituição que não só defenda como também promova a educação, através de cursos e palestras. “Por um lado, hoje, há muitos recursos tecnológicos disponíveis aos jovens, mas em muitas salas de aula ainda estão usando quadro-negro e giz.”

Para ela, o centenário que se aproxima, em 2021, é mais uma oportunidade para que a Casa Barão não seja apenas conservada em sua tradição, mas que ela se reinvente.

Cristina Campos sabe que a AML precisa de reforma administrativa. “Com a parte burocrática em ordem, poderemos desenhar e propor projetos para ancorar recursos e trabalhar. Temos, por exemplo, uma das maiores bibliotecas do Estado com a produção mato-grossense. Gostaríamos de vê-la bem acomodada, de modo que as pessoas possam ter acesso fácil ao acervo. Os livros já foram digitalizados e catalogados, mas ainda falta uma boa reforma no espaço físico para acomodá-los apropriadamente. Hoje encontram-se encaixotados”.

Além de disponibilizar conteúdo institucional e de Literatura, a chapa “Viva a Casa Barão!” quer também aproximar as escolas das suas dependências. “Mato Grosso precisa conhecer e reconhecer seus valores. As crianças e adolescentes precisam conhecer sua história”, defende.

Em suma, a AML proposta pela Chapa 1 quer não só ser detentora, ser mais uma das vozes em defesa da Literatura mato-grossense, mas, principalmente, fomentá-la.

“Nossa chapa tem essa organização formal e hierárquica de 13 pessoas, mas buscaremos horizontalizar as relações trabalhando em rede, o que é um desafio numa organização de estrutura piramidal. Estamos abertos. A ideia de roda da conversa nos agrada.”

O escritor Lorenzo de Jesus Miranda Falcão compactua desses ideais, por isso mesmo está engajado e não esconde, muito animado, a ideia de compor novos projetos para a AML.

Lorenzo Falcão, em entrevista ao programa Palavra Literária (Divulgação AML)

“E, é claro, fico muito contente de me conectar com outros escritores que veem a Literatura como uma arte sublime, não só uma área do conhecimento. A literatura envolve muita criatividade” – e é sob essa perspectiva que ele entende que a chapa deve atuar.

Para ele, a Academia Mato-grossense de Letras não deve servir apenas para projetos pessoais, para encorpar currículo. “Nós temos que somar com outros tantos que estão protagonizando um momento de bastante efervescência. Temos festejado vários lançamentos de livros de autores regionais, vários canais como o Ruído Manifesto, a Revista Pixé, Parágrafo Cerrado… Há estudantes das universidades pesquisando sobre autores vivos, não só os cânones como Silva Freire e Dicke”, contextualiza.

Para Lorenzo, não há como ficar à margem desses acontecimentos. “Não podemos perder o bonde. Esse processo é irreversível. A hibridez está instaurada na produção cultural, e a Literatura tem que acompanhar, e se reinventar.”

Para ele, a literatura, do seu viés cultural, também traz benefício social. “A literatura é muito cognitiva, tem um poder de transformação social muito grande. Pessoas que estão longe do analfabetismo funcional enxergam melhor o mundo. Eu, por exemplo, leio para entender o mundo e escrevo para mudar o mundo”.

Vale ressaltar, é raríssimo a AML ter duas chapas em uma eleição. De outro lado, está a Chapa 2, União e Harmonia, liderada pela jornalista e escritora Suely Batista.

Algo está diferente lá pelos lados do Centro Histórico. No dia 21 começa um novo capítulo dessa história que, em 2021, será secular.

CHAPA “VIVA A CASA BARÃO!”

Presidente: Maria Cristina de Aguiar Campos
1ª Vice-presidente: Olga Maria Castrillon Mendes
2º Vice-presidente: Fernando Tadeu de Miranda Borges

1º Secretário: Aclyse de Mattos
2º Secretário: Flávio José Ferreira

1º Tesoureiro: Lorenzo de Jesus Miranda Falcão
2º Tesoureiro: Ivens Cuiabano Scaff

Conselho Fiscal
– Lourembergue Alves
– Eduardo Moreira Leite Mahon
– Luciene Josefa de Carvalho

Conselho Editorial
– Agnaldo Rodrigues da Silva
– Marília Beatriz de Figueiredo Leite
– Marta Helena Cocco

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