Educação é um direito?

Infelizmente a realidade tem batido à nossa porta e nos despertado da ilusão de que a educação em si tem o poder de aperfeiçoar moralmente as pessoas

(Foto: Divulgação)

Será a educação um direito humano? Tem o Estado a obrigação de providenciar educação gratuita para seus cidadãos? A sociedade necessariamente melhora quando a maioria de seus membros recebem o que se considera “uma boa educação?” Perguntas difíceis de serem respondidas, mas extremamente importantes.

Nós nos acostumamos a aceitar como axioma a ideia da educação como um direito. Outra ideia amplamente aceita é a que conjuga educação no sentido de conhecimento acadêmico com a noção de uma sociedade moralmente melhor.

O senso comum é: quanto mais pessoas com um nível alto de educação formal, melhor a sociedade se torna. Países de primeiro mundo são citados como exemplos de educação perfeita e, portanto, da sociedade ideal, onde a criminalidade é baixa, as pessoas são respeitadas e as crianças brincam louras e felizes nas praças.

Mas infelizmente a realidade tem batido à nossa porta e nos despertado do sonho de que a educação em si tem o poder de aperfeiçoar moralmente as pessoas.

Jovens zumbis

Mas então, ouvimos que jovens privilegiados, alunos de universidades de elite, são capazes de desfilar nus defecando em praça pública para protestar contra o fim legítimo de um governo eivado pelo vício de enganar seus cidadãos e corrupção profunda. Incapazes de julgar com sua própria cabeça, esses jovens parecem um grupo de zumbis controlados por um cérebro artificial guardado na sala de algum castelo.

Percebemos que mesmo professores com pedigree educacional alto não sabem discernir entre o bem e o mal. Vimos com tristeza que hoje é  mais fácil achar apoio racional e afetivo ao crime organizado, tráfico, prostituição, assassinatos, terror dentro de uma sala de aula de uma universidade federal, do que num bairro de periferia onde a maioria dos moradores não concluiu o ensino médio.

O filósofo de Harvard William Ernest Hocking comentou num simples pé de página em seu livro brilhante “The Coming World Civilization,” publicado em 1956 que “A ideia da educação como um direito, como se fosse uma mercadoria transferível de um armazém para as mentes receptoras, é um dos sintomas da nossa decadência social”.

O que Hocking está dizendo é que ao tornar a educação um direito coletivo, ao invés de uma busca individual, como foi no ocidente por muitos séculos,  necessariamente a transformamos em uma mercadoria sujeita à forja do Estado.

A educação procurada voluntariamente é um instrumento de aperfeiçoamento pessoal. A educação feita commodity distribuída pelo Estado é um mecanismo de uniformização e controle.

Por muitos séculos, no ocidente, educação era uma busca individual e não uma obrigação social, direito coletivo ou dever estatal. A pessoa buscava se educar, o conhecimento era uma necessidade da alma e do espírito e não apenas um adestramento para uma determinada profissão.

Educação e profissionalização eram duas coisas separadas, mas nenhuma delas era dever do Estado. O indivíduo responsável era o agente de seu destino, seguindo a profissão da família ou buscando o caminho que mais lhe parecia adequado. Educação era algo precioso, adquirida com o trabalho árduo de cada um para o aperfeiçoamento pessoal.

Ensino enlatado

Podemos pensar que mudamos para melhor, que pelo menos hoje o número de pessoas com acesso a educação superior aumentou muito. Mas será que o tipo de educação que essas pessoas recebem é mesmo “superior”?

Uma vez direito de todos, a educação tem que se tornar uma coisa produzida em massa, enlatada e formatada de acordo com regras estatais que estipulam, além do tipo de conhecimento que deve ser espalhado, os julgamentos que têm que ser feitos em cima desse conhecimento.

Ou seja, o Estado pensa pelo educador e pelo educando. Assim, uma das funções principais da educação, que é o afiar a mente do estudante para torná-lo capaz de gerar por si mesma julgamentos e conclusões sobre os fatos que assimila, acaba sendo anulada.

Moral arbitrária

O rei Salomão já fazia a diferença entre o conhecimento e a sabedoria. Este é o alvo da boa educação, a sabedoria. Não queremos que a educação apenas providencie informação, que é o conhecimento, mas que tornem as pessoa sábias, ou seja moralmente dignas, capazes de fazer boas escolhas para si e para os outros.  Vale lembrar que, até pouco tempo atrás, nós também sabíamos que moral não era um “conhecimento” a ser adquirido na escola.

Não se transmite conceitos morais como se ensina matemática. Escolas podem formar cientistas, mas não são capazes de formar sábios, porque moral é um sentimento inspirado pela percepção do transcendente. Moral é uma função da religião e não da educação e, como religião é um valor familiar, a moral se aprende na igreja e na família. Quando o Estado ocupa este espaço, e a religião deixa de ter relevância no espaço público, e moral passa a ser a lista das obrigações sociais definidas pelo Estado.

Essa moral  arbitrária é constante objeto de manipulações convenientes, porque ela não é real, é uma fabricação artificial. A verdadeira moral é um sentimento que se aprende na igreja. Estávamos certos no passado quando relegávamos a educação moral à esfera da igreja e da família.

As crianças de hoje podem até voltar a estudar a “Educação Moral e Cívica”, como na época do regime militar, ou obedecer a disciplina militar rígida dos colégios militares.   Mas, se abolida a noção religiosa de que devemos alguma coisa a um Deus-Criador porque nossa vida eterna transcende a nossa curta existência terrena, a “moral” que aprendem não vai passar de conselhos vazios.

Se crianças não são educadas pelos pais em casa, se não são expostas a bons exemplos e modelos de pessoas próximas, não aprendem, porque moral se aprende vivendo e não sentado numa carteira.

Fábrica de ideias medíocres

A conclusão de Hocking está certíssima. A nossa decadência social visível, a decomposição de nossa capacidade de pensar, de produzir ciência e da nossa fibra moral se devem ao fato de termos tornado o saber, antes uma opção e conquista de indivíduos na busca de serem melhores, em uma imposição enlatada e obrigatória – e termos tornada a moral um código vazio a ser ditado pelos centros de poder.

As universidades e escolas, armazéns do saber ao invés de centros de excelência, são fábricas de produzir pessoas e ideias medíocres. O conhecimento que conduz à verdadeira sabedoria é  uma caixa de joias preciosas que o estudante precisa garimpar para achar.

Infelizmente, essas joias, quando relegadas à tutela da burocracia governamental, transformam-se em bijuteria barata de plástico produzida na China. O Estado, meus caros, tem o toque de Midas ao contrário. Consegue transformar ouro precioso em lixo.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Relutei pra continuar lendo depois da falácia sobre as UF’s como fomentadoras de prostituição, assassinatos etc. A proposta do texto é muito boa ao tratar de questionar o senso comum acerca da educação como condição única para aperfeiçoar o ser humano, ou se a mesma deve ser um direito impositivo ou uma busca pessoal. Gostei. Mas usa do próprio senso comum ao aplicar o discurso falacioso mencionado acima. Escorregou…

  2. Meu amigo, voce nao entendeu o parágrafo, que está criticando. Não afirmei em nenhum momento que este era o estado geral das coisas. Falei que “ouvimos que”- o que acredito que você também tenha ouvido, visto vídeos e reportagens sobre o que estou falando, ou será que não? No mais obrigada pela crítica. Vamos continuar melhorando.

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