Éder Moraes diz que delações foram forjadas para dar suporte à “cleptocracia” instalada por Silval

Ex-secretário nega ter recebiso R$ 6 milhões de Maggi e Silval, para mudar depoimento

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Em depoimento prestado à Polícia Federal no âmbito da Operação Ararath, o ex-secretário de Estado Eder Moraes afirmou que as delações do ex-governador Silval Barbosa e do seu ex-chefe de gabinete, Silvio Correa, foram forjadas para dar suporte à “cleptocracia” instalada no Estado por Silval. “As declarações feitas estão eivadas de vícios e incongruências insanáveis, com incompatibilidade de datas, valores, origem e destino”, disse.

O ex-secretário assegurou ainda que seu ex-chefe Silval, réu confesso, só fez a delação após conhecer os depoimentos da maioria dos investigados. “Portanto, buscando encaixar valores em situações que pudessem dar dubiedade de entendimento. Em outras palavras, as delações foram forjadas pelos delatores e, para dar o ar de verdade, foram encaixando em situações fora do contexto”.

Como exemplo da incongruência das delações que envolvem seu nome, Eder citou a origem do suposto dinheiro que teria recebido. Segundo ele, Silval teria dito ter pago R$ 2 milhões, originados da empresa Consignum, enquanto Silvio teria declarado ter sido R$ 2,8 milhões provenientes do Programa MT Integrado, Sinfra e Três Irmãos Engenharia.

Além disso, que o ex-governador alega ter passado os cheques da Três Irmãos diretamente para Celson Bezerra. “Que Silvio Correa, por sua vez, e pela terceira vez, contradiz o seu “chefe” dizendo que supostamente entregou os cheques diretamente a Eder Moraes”, diz trecho do depoimento.

Abandonado pelos advogados

No mesmo depoimento, Eder ainda negou ter indicado qualquer advogado para investigados na Operação Ararath, conforme dito por Silval Barbosa, e que, inclusive, seus defensores na época, Murilo da Silva Freira e Darlan Vargas, abandonaram o caso bem na época de sua prisão, em maio de 2014, sob o argumento de que estariam advogando para Junior Mendonça. “O declarante, inclusive, estuda representá-los perante o Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil, nas instâncias necessárias”.

Ele também confirmou ter recebido visitas do empresário Gustavo Capilé, proprietário de um jornal da capital, e do deputado estadual Gilmar Fabris (DEM), mas para prestar solidariedade, uma vez que são amigos há mais de 30 anos. Conforme o ex-secretário, as visitas foram em horários distintos e não tinham nenhuma relação com o atual Ministro Blairo Maggi.

“Confirma que Gustavo Capilé também tinha intenção jornalística na visita, tentando obter um furo de reportagem, mas naquela ocasião do declarante entendeu que não era o momento de dar entrevista, até mesmo pelo estado emocional em que se encontrava, pois era a primeira vez que tinha entrado num presídio, na condição de presidiário”, acrescentou Eder.

Além disso, ressaltou que as conversas eram por interfone, podendo ser gravadas pelo sistema penitenciário e com os interlocutores divididos por um vidro blindado, sem qualquer contato pessoal. “Ninguém, nessas circunstâncias, em sã consciência, teria tratado de assuntos não republicanos por meio de um interfone instalado num presídio, sob o controle dos agentes federais”.

Enganado pelo MPE

No depoimento, Eder Morais voltou a negar ter recebido R$ 6 milhões de Maggi e de Silval para mudar seu depoimento e a afirmar que foi enganado por membros do Ministério Público Estadual. De acordo com o ex-secretário, a retratação ocorreu após vazamento proposital e exposição maciça na mídia local e nacional de seu, sem que tivesse assinado qualquer termo de delação.

“A retratação pública é um ato constitucional, unilateral e personalíssimo, cabendo a quem a fez as declarações originárias prestadas em qualquer âmbito, o direito de desfazê-la, se por vontade própria e justificada, se entender necessário”, completou.

Eder ainda refutou qualquer insinuação relativa ao ex-governador e hoje ministro Blairo Maggi, com quem afirma não conversar há mais de 6 anos, nem por intermediários. “O declarante refuta de plano toda e qualquer insinuação relativa ao ex-governador Blairo Maggi, não havendo o que se comentar sobre o assunto porque é absolutamente inexistente no mundo jurídico”.

A Operação Ararath, que investiga crimes contra o sistema financeiro Nacional, foi deflagrada em 2013 e seu último desdobramento, a 12° fase, foi realizado em 2016, baseado na colaboração premiada de Silval Barbosa.

 

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