É compulsivo e não quer cair em tentação na Black Friday? Conheça o personal shopper

Esse profissional promete te ensinar a gastar o próprio dinheiro e, em alguns casos, te convencer a não comprar aquilo que você não precisa

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre

Saber gastar bem o dinheiro guardado – quase sempre – a duras penas e não cair em armadilhas da Black Friday é provavelmente, uma das mais recentes preocupações de muita gente. E acabou se transformando também em uma porta aberta para a economista Ana Carolina Pereira, 34 anos, empreender em um novo tipo de negócio: o dos “personal shopper”.

É exatamente isso: alguém que você contrata para te ensinar a gastar seu próprio dinheiro com qualidade, o que, em muitas ocasiões, envolve te convencer a não comprar aquilo que você não precisa.

A ideia veio, como ela mesma descreve, “de supetão”. Ana Carolina resolveu aceitar o convite de uma amiga para passar uns dias em Chicago, nos Estados Unidos. Também, o conselho de outra: usar suas habilidades com o dinheiro para trabalhar em algo para si própria.

Juntando as duas propostas, a economista sai de Cuiabá no próximo dia 24 carregando na bagagem encomendas – e o “rico dinheirinho” – de pessoas próximas. Em Chicago, pretende aproveitar a experiência para estruturar um plano de negócios para essa nova empreitada profissional.

“Como diria Carrie Bradshaw [personagem de Sarah Jessica Parker na série de televisão Sex and the City]: ‘shopping is my cardio’ [comprar é meu exercício]”, ela responde, aos risos, a pergunta se vai ter tempo também de se divertir durante a viagem de 15 dias.

Isso é profissão?

Ser personal shopper não é exatamente uma inovação. A carreira existe há algum tempo e sempre foi mais voltada para o ramo da moda. Muitos profissionais são conhecidos também como personal stylists.

No Brasil, a onda só começou a crescer quando famosas, como as atrizes Juliana Paes e Marina Rui Barbosa, passaram a ser assessoradas em suas compras, principalmente as no exterior.

Às famosas, esses profissionais costumam prestar assessoria na hora de comprar roupas de grife (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Mas a carreira não precisa ser rodeada de tanto glamour. Ana Carolina afirma que o propósito é bem mais simples e na vida de “pessoas físicas”, bem parecido com o papel de um economista que trabalhe para uma empresa.

“Não quero difundir a cultura da compulsão por compras, mas usar do tempo e um pouco de conhecimento para fazer com que as pessoas assessoradas por mim façam compras baseadas na sua necessidade real”, ela diz.

E completa: “pode parecer piegas, mas eu enxergo uma oportunidade de fazer com que as pessoas comprem menos. E que, quando o fizerem, seja de modo inteligente, para aproveitar melhor suas escolhas”.

Afinal, como funciona?

Ana Carolina vai aproveitar a viagem para os EUA e a temporada da Black Friday por motivos óbvios: dá para comprar mais, gastando menos.

Entre os pedidos que os amigos selecionados por ela nessa primeira experiência fizeram, estão produtos como maquiagem, suplementos nutricionais, acessórios de esporte e, claro, roupas.

Tudo dentro do limite permitido pela Receita Federal e pelas novas regras de bagagem das empresas áreas.

Fazer a mala, diga-se de passagem, vai ser um desafio duplo já que Ana Carolina vai sair da média de 36°C de Cuiabá para os -9°C de Chicago, ou seja, vai ter que levar roupa extra para si própria.

“Mas eu já trabalhei viajando e aprendi a lidar com essa situação”, ela garante.

Ana Carolina é economista e quer empreender ensinando pessoas a gastarem o próprio dinheiro (Foto: Jy Fotografia)

Na temporada de compras fora, a economista vai desenvolver uma característica que ela acredita que já possui: “a habilidade de prestar atenção e, intuitivamente, entender a necessidade da pessoa”.

Sem os amigos contemplados por perto, Ana Carolina vai ter que escolher os produtos por eles. Em alguns casos, segundo ela, os pedidos são bem específicos. Em outros, a intimidade dela com a pessoa é que vai ajudar na hora da compra.

“Por isso, estou começando dentro do meu círculo. Até porque, como o nome diz, o trabalho é personal, transmite exclusividade. O intuito não é ser ‘muambeira’”, ela esclarece.

E embora a primeira experiência envolva compras no exterior, Ana Carolina afirma que é possível desenvolver a atividade sem a necessidade de viagens. A essência do trabalho é prestar assessoria para o cliente com o objetivo de otimizar a aplicação do dinheiro. Exatamente a missão de um economista.

“A princípio soa fútil a expressão ‘personal shopper’, assim, nua e crua. Mas quantas pessoas vão ao supermercado e compram por impulso? Compramos comida, compramos serviços e precisamos valorizar o custo/preço/valor de cada um. Para isso, estarei aqui”, ela diz.

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